19 de Junho de 2011

 

Salazar introduz em Portugal o método dos reféns

 

Introduzindo em Portugal o sistema hitelariano dos reféns, utilizado pelos bandidos alemães nos países ocupados, o governo fascista de Salazar, mandou prender a esposa de Joaquim Soeiro Pereira Gomes, empregado superior da fábrica de Cimento Tejo, de Alhandra, e autor do belo livro "Esteiros", e anunciou na imprensa que não a porá em liberdade enquanto o marido não se apresentar à prisão ou não for preso, acusado de ter participado na greve de 8 de Maio.

Com estas medidas de vingança, o governo de Salazar não conseguirá intimidar os combatentes anti-fascistas, e não terá que queixar-se, se o povo, farto de sofrer, começar a responder aos fascistas olho por olho e dente por dente.

Portugueses honrados! Intelectuais! Católicos! Mulheres de coração!

Exigi a libertação da esposa de Soeiro Pereira Gomes presa como refém pelo governo fascista. Comunicai aos representantes das Nações Unidas o processo terrorista do governo de Salazar.

 

Fonte: Jornal "Avante!" de Maio de 1944

publicado por subterraneodaliberdade às 10:59

 

Tempos difíceis, Tempos de Luta

 

Os discursos do Presidente da República e de António Barreto, no 10 de Junho, constituíram dois indecorosos exercícios de uma hipocrisia só possível vinda de quem possui muita tarimba na matéria.

O apelo de Cavaco Silva para o regresso aos campos – feito por quem foi carrasco e coveiro da agricultura portuguesa nos dez anos em que foi primeiro-ministro – só é explicável à luz de um profundo desrespeito pela inteligência e a sensibilidade dos portugueses.

Do mesmo modo, a referência aos supostos «riscos incalculáveis» que correríamos se o programa da troika ocupante não fosse cumprido pela troika colaboracionista, não passa de uma tosca tentativa de procurar esconder dos portugueses que o cumprimento do programa da troika é que é, ele sim, um incalculável passo em frente no afundamento do País - pelo que rejeitá-lo constitui um dever patriótico.

O Presidente da República diz o que lhe vai na alma quando clama que «é Portugal inteiro que tem de se erguer nesta hora decisiva» e que isso implica «inevitáveis sacrifícios» - já que, com isso, o que quer dizer é que os sacrifícios, como sempre, são para os trabalhadores e o povo, ficando os lucros, como sempre, para o grande capital.

De Barreto, bastaria dizer que o seu nome ficará para sempre ligado àquele que foi o momento mais sombrio vivido depois do 25 de Abril: a destruição da Reforma Agrária, com a brutal repressão, os assassinatos, afrontando a Constituição da República Portuguesa – a Constituição que Barreto, no seu ódio visceral a tudo quanto cheire a Abril, quer agora liquidar.

Sublinhe-se que a crítica de Barreto aos políticos assenta como uma luva tanto em quem a faz como em quem convidou o falante.

De resto, tratou-se de um discurso velho, bacoco, pateta – mas profundamente reaccionário - que atinge a suprema agonia quando a ridícula criatura decide passar a tratar Portugal por tu...

Enfim, falaram, ambos, como políticos da política direita que, de facto, são. Com responsabilidades diferentes, mas em ambos os casos grandes, enormes, no estado a que Portugal chegou.

  

 

Fonte: Jornal "Avante!"

publicado por subterraneodaliberdade às 10:57
pesquisar neste blog
 
Junho 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
12
17
arquivos
Nota Subterrânea
Os artigos públicados da autoria de terceiros não significa que o subterrâneo concorde na integra. Significa que são merecedores de reflexão.
links
blogs SAPO