09 de Novembro de 2008

 

 

A eleição de Obama para presidente dos EUA, não deixa de expressar uma vontade de ruptura do povo norte americano com a política de Bush, e o contentamento generalizado pelo mundo também expressa essa vontade.

 

No entanto, no meu entender, julgo que tal mudança não se vai verificar, pelo menos nos aspectos mais marcantes da política de Bush, poderá se verificar em aspectos, mais ou menos, superficiais e de estilo.

 

Entendo, até, que esta eleição é uma estratégia do capitalismo que foi, recentemente, abalado.

 

Esta visão pessimista e desconfiada não é alicerçada num espírito igualmente pessimista e desconfiado em relação ao futuro, antes pelo contrário, é alicerçada na análise atenta dos últimos acontecimentos.

 

Só o simples facto de Obama ser candidato pelos democratas, com apoio de milhões e milhões de dólares de poderosos capitalistas para a sua campanha, leva-me a desconfiar de tal homem, porque não acredito que quem o apoia corresse o risco de o fazer sem saber o que ele realmente pensa e quer.

 

Entendo, também, que as verdadeiras mudanças não são sustentadas num homem (embora reconheça a importância do individuo) mas sim na acção, vontade e participação efectiva de um povo na transformação de uma sociedade que corresponda às suas reais necessidades.

 

Nos útimos anos, a política seguida pelo Bush, ao serviço do capital, criou enormes descontentamentos ao povo norte americano, e enormes inimizades no mundo (mesmo na Europa), que levou muita gente a ter ódios tão exacerbados que confundiam o povo norte americano com a política de Bush. Ora tal cenário estava de certa forma a atrapalhar os projectos do capital, logo há a necessidade de criar a ideia de mudança para que tudo fique na mesma.

 

A recente crise do capitalismo, teve um efeito imediato: a queda da ideia que o capitalismo era o fim da história e era o modelo que respondia às reais aspirações do Homem.

 

Tal efeito, levou muita gente à procura de uma resposta para a crise e de uma alternativa a este modelo. E de uma forma sincera uns e de forma imprudente outros, lá começaram a dizer "Marx tinha razão", "Marx compreendeu correctamente o capitalismo".

 

Estas afirmações implicaram a procura (ainda muito débil e superficial) das teorias marxistas, que o capital teve sempre o cuidado de esconder e deturpar das mais variadas formas, e criou a ideia, nas mais diversas sociedades e pessoas, que, ao contrário do que lhes queriam fazer crer, o socialismo é uma solução e é a alternativa ao capitalismo.

 

A simples ideia de que o socialismo é a alternativa assustou os defensores do capital, e até ditos socialistas como Mário Soares e Manuel Alegre. (Ver DN de 28 de Outubro de 2008)

 

Perante tal susto o capital tinha que encontrar uma solução rápida e essa solução é Obama. Depois do estalar da crise do capitalismo a histeria em torno de Obama foi uma realidade, apelidado de messias (salvador) por uns, de socialista por outros, tudo foi dito para catalogar Obama.

 

Obama representa, no meu entender, o rejuvenescimento do capitalismo, é a resposta do capital à ideia da alternativa socialista.

O que o capital nos quer fazer crer é que a solução para a crise do capitalismo não está no socialismo, mas no seio do próprio capital com a sua capacidade de transformação

 

publicado por subterraneodaliberdade às 16:06

Concordo em absoluto amigo Subterrâneo,...apenas e só uma ligeira mudança de estilo.
Os senhores das sociedades secretas aliás não lhes dão abébias, vão continuar a controlar o mundo à sua medida e não será certamente Obama que os vai impedir,....quem pagou a milionária campanha de Obama ??

Abraço!
jorge a 10 de Novembro de 2008 às 20:59
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