11 de Novembro de 2008

 
Os dois artigos que hoje divulgamos foram publicados pelo diário "El Tiempo", de Bogotá . É significativo que esse jornal, porta-voz da oligarquia colombiana, admita a possibilidade de o presidente neofascista Alvaro Uribe vir a ser julgado pelo Tribunal Internacional Penal por crimes contra humanidade, cometidos no âmbito da sua «politica de segurança democrática». Duas dezenas de oficiais de alta patente entre os quais alguns generais foram afastados pelo envolvimento na execução de civis que o Exército prendeu e fuzilou sob a falsa acusação de serem guerrilheiros, a fim de receberem chorudos prémios. No auge do escândalo, o comandante-chefe do Exército, general Mario Montoya, foi forçado a demitir-se.

Claudia López
 
Diz o Presidente que o objectivo da purga no Exército é dar uma mensagem clara que não haverá tolerância para com a violação de direitos humanos para justificar os resultados e ganhar reconhecimentos da política de segurança democrática. Para que a purga realizada e essa mensagem não passe de um assobiar para o lado, deve mudar a doutrina civil de segurança democrática e comando do Exército.

Os militares são uma instituição hierárquica e subordinada à doutrina e ao comando civil. A doutrina civil de segurança democrática ordenou à Força Pública que pagasse toda a colaboração civil que produzisse resultados, que medisse os resultados em baixas e anotassem as baixas para conceder benefícios. Só a partir do ano passado, fruto da enorme pressão internacional, o Ministério da Defesa modificou parcialmente a doutrina, privilegiando desmobilizados e capturados em vez de baixas. Tudo o mais não foi adaptado de acordo com a modificação, nem os procedimentos e controlos para assegurar que se aplicava a nova doutrina no terreno. Se o estivesse, não estávamos a desenterrar centenas de jovens vilmente assassinados para que o Exército relatasse resultados e os seus soldados e comandantes recebessem gratificações.

A mensagem presidencial também perde credibilidade se o general Mário Montoya [1] continuar a comandar o Exército. Nenhum outro general promoveu e foi mais beneficiado com «as mortes em combate» que Montoya. São conhecidas as suas intervenções, públicas e privadas, em que exigia mortos como resultados. Sob o comando de Montoya, as notícias falsamente positivas triplicaram, bem como as investigações por iniciativa das Procuradoria civil e militar, não por solicitação do general nem dos seus chefes civis.

Dizem que este general se mantém por que é o herói da «Operação Xeque». Se é assim, a mensagem é errada e a justificação continua em vigor: como salvou a vida de 15 ilustres sequestrados das FARC, justifica-se que tenha permitido o assassínio de centenas de colombianos menos ilustres, cometidos por homens sob o seu comando. De acordo com essa lógica, as violações justificam-se se forem compensados por golpes nas FARC. O problema é que essa lógica tem centenas de cadáveres a pesar-lhe em cima que, de forma alguma se justificam. As execuções extrajudiciais não foram de civis que foram involuntariamente dados como baixas em combate, mas de crimes deliberados, à margem de combates e com um padrão sistemático: Jovens recrutados por civis (a maioria ex-paramilitares, que puderam receber recompensa pela sua colaboração), entregues vivos aos militares e depois exibidos mortos como baixas em combate, graças aos quais os militares obtiveram lucros.

Os generais retirados do serviço pelo Presidente, foram-no por faltas e irregularidades no seu comando e controlo. Presentemente, o general Montoya tem sob o seu comando 2.878 membros da Força Pública a serem processados disciplinarmente por homicídio de pessoas, e mais 763 que estão ligados penalmente por falsas informações, em que contabilizavam, até agora, 1.137 vítimas. Se o general Montoya tem responsabilidade penal, por acção ou omissão destes factos, é coisa que cabe à Procuradoria determinar, mas a sua responsabilidade como Comandante do Exército não pode ser iludida, nem por ele nem pelo seu Comandante-Chefe [2], que é aquém cabe exigi-la.
Não tem qualquer cabimento que o Presidente e a doutrina de segurança democrática continuem a recusar reconhecer as vítimas dos crimes de agentes do Estado, como as execuções extrajudiciais e as inverdades falsamente positivas, e a garantir-lhes verdade, justiça e reparação. Uribe deve recordar que a Colômbia como Estado terá de responder por todos estes crimes, nacional e internacionalmente, e terá de demonstrar que fez TUDO o que estava ao seu alcance para evitar que estes factos ocorressem, para julgar os culpados e proteger as vítimas. Negar ou discriminar as vítimas, amparar alguns responsáveis e não corrigir doutrinas e procedimentos que incentivam indirectamente às violações não são a melhor defesa.


Nortas do Tradutor:
[1] O general Mario Montoya, cuja figura se tornou internacionalmente conhecida por ter sido quem recebeu Ingrid Bettancourt à saída do helicóptero, foi, entretanto, obrigado a demitir-se pela pressão da opinião pública colombiana, de que este artigo é exemplo. O seu nome volta à ribalta pelas piores razões.
[2] Refere-se a Álvaro Uribe Velez, o narcotraficante Presidente da República da Colômbia.

Tradução de José Paulo Gascão
 

 

 

 

 

artigo retirado:

http://odiario.info/articulo.php?p=937&more=1&c=1

publicado por subterraneodaliberdade às 13:53
A Colombia não tem um exercito, mas sim um bando de terroristas assassinos , às ordens do traficante`´Alvaro Uribé.
Eu não acredito que Obama lhe retire o tapete, e mesmo que lho retire ele já deve estar preparadopara chefiar o bando com clandestino.
Abraço
POESIA-NO-POPULAR a 11 de Novembro de 2008 às 21:08
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