22 de Novembro de 2008

 

 O Encontro com Hu Jintao

 • EU quis falar pouco, mas ele me obrigou a me estender; fiz algumas perguntas e fundamentalmente o escutei.
Narrou as proezas do povo chinês nos últimos dez meses. Grandes e extemporâneas nevadas, um terremoto que devastou áreas de superfície equivalentes a três vezes a de Cuba, e a crise econômica internacional mais grave desde a Grande Depressão da década de 1930, atingiram a imensa nação de 1,3 bilhão de habitantes. 
 
Por minha mente passava o grande esforço do povo chinês, de seus operários, camponeses, trabalhadores manuais e intelectuais; o tradicional espírito de sacrifício e a cultura milenar desse país, milhares de anos antes do colonialismo imposto pelo Ocidente, onde as atuais potências do Grupo G-7, que hoje dominam a economia mundial, emergiram com seu poder e suas riquezas.
 
Que colossal tarefa nestes tempos de globalização caía sobre esse dirigente que teve o gesto de visitar nossa bloqueada, agredida e ameaçada pátria! Por acaso não somos um país terrorista entre outros 60 ou mais que podem ser atacados preventivamente e por surpresa? Ele disse isso há mais de seis anos o demencial chefe do império, que se reuniu em Washington, há apenas cinco dias, com o G-20!
 
A China é o único país desse Grupo que pode controlar, através do Estado, um elevado índice de crescimento ao ritmo que se propõe, não inferior a 8% em 2009. A idéia do último Congresso do Partidofoi quadruplicar o PIB per capita entre 2000 e 2020, medido em valores constantes de 2007, ano em que foi realizado o Congresso. Falou-me nisso em detalhe. Portanto, alcançaria o equivalente a não menos de US$4 mil per capita anuais no fim desse período, em tempo de paz.
 
Acho que não se pode nem se deve esquecer que a China é um país emergente, cuja receita per capita, com muito menos população quando triunfou a revolução, não beirava os US$400 anuais por habitante e foi completamente isolada pelo imperialismo. Comparemos isso com os US$20 mil per capita ou uma cifra muito superior que atualmente desfrutam os países capitalistas desenvolvidos, como o Japão, europeus ocidentais, os Estados Unidos e o Canadá. Alguns deles ultrapassam os US$40 mil per capita anuais, embora sua distribuição seja sumamente desigual na sociedade.
 
Empregando US$586 bilhões de suas reservas em divisas conversíveis, que se aproximam dos US$2 trilhões, acumuladas com suor e sacrifício, pode encarar a atual crise e continuar avançando.
 
Existe outro país com essa solidez?
 
O presidente da China, secretário-geral do Partido e presidente das Comissões Militares Centrais do Partido e do Governo, Hu Jintao, é um líder consciente de sua autoridade e sabe exercê-la plenamente.
 
A delegação presidida por ele assinou com Cuba doze projetos de acordos para um modesto desenvolvimento econômico, em uma zona do planeta onde a totalidade do pequeno território da ilha é açoitada por furacões de crescente intensidade, uma prova de que o clima realmente está mudando. A área danificada pelo terremoto na China não ultrapassa 4% da superfície daquele grande Estado multinacional. 
 
Há circunstâncias em que a extensão do território dum país independente, sua posição geográfica e o número de seus habitantes desempenham um papel importante.
 
Os Estados Unidos, que roubam em toda parte inteligências já formadas, estariam em condições de aplicar uma Lei de Ajuste para os cidadãos chineses, similar à que aplicam a Cuba? É absolutamente óbvio que não. Poderiam aplicá-la a toda a América Latina? É claro que também não.
 
Entretanto, nossa maravilhosa, poluída e única nave espacial continua girando em torno de seu eixo imaginário, como repete um dos programas mais escutados da televisão venezuelana.
 
Nem todos os dias, um pequeno Estado tem o privilégio de receber um dirigente da personalidade e do prestígio de Hu Jintao. Agora irá rumo a Lima. Ali terá lugar outra grande reunião. De novo, Bush estará presente, desta vez, com sete dias a menos de mandato. 
 
Afirma-se que, em Washington, com apenas 20 líderes dospaíses participantes, as medidas de segurança próprias e as exigidas pelo anfitrião contra qualquer tentativa de eliminá-los fisicamente, mudou os costumes e a vida habitual da cidade. Como será em Lima? Sem dúvida, a cidade será tomada pelos corpos armados; deslocar-se será uma tarefa complicada, visto que nela também estarão presentes os agentes bem treinados dos órgãos supranacionais dos Estados Unidos, cujos interesses e planos seriam conhecidos muitos anos depois de decorridos os períodos presidenciais dos chefes eventuais do império.
 
Expressei-lhe resumidamente algumas apreciações de nosso país sobre o hábito do vizinho do Norte, que pretende nos impor suas idéias, seu modo de pensar e seus interesses, através de suas frotas, repletas de armas nucleares e de bombardeiros de ataque; nossa apreciação da solidariedade da Venezuela a Cuba desde os momentos mais críticos do período especial, e do duro golpe dos desastres naturais. Tambem, que o presidente Chávez, grande admirador da China, é o mais firme defensor do socialismo como único sistema capaz de levar a justiça aos povos da América Latina.
 
Beijing tem uma agradável lembrança do líder bolivariano.
O presidente Hu Jintao reiterou seu desejo de continuar desenvolvendo as relações com Cuba, um país pelo qual sente grande respeito. 
 
O diálogo teve uma duração de uma hora e 38 minutos. Foi cálido, amistoso, modesto, e tornou patente seus sentimentos de afeição. Vi Hu Jintao jovem, saudável e forte. Desejamos ao nosso ilustre e fraterno amigo o maior sucesso em sua tarefa. ¡Obrigado por sua visita estimulante e pela honra de se interessar por ter um encontro comigo! 
 
Fonte: Granma                                                         

 

publicado por subterraneodaliberdade às 19:44
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