23 de Novembro de 2008

 

Em meio à crise financeira internacional, São Paulo (SP) irá sediar, entre os dias 21 e 23, o 10º Encontro Internacional dos Partidos Comunistas e Operários. Setenta e cinco organizações confirmaram presença. José Reinaldo Carvalho, secretário de relações internacionais do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), a entidade que organiza o evento, lembra que o fato do encontro acontecer em meio às turbulências da economia global não passa de uma coincidência, mas admite que, “obviamente, a crise estará no centro dos debates”.

 

 

Para ele, essa será uma oportunidade para denunciar o capitalismo, o imperialismo e as políticas neoliberais dos governos conservadores. “É uma ocasião propícia para mostrar aos trabalhadores que a crise é do próprio sistema, que se trata de um sistema condenado pela história, que gerou inarredáveis e insanáveis contradições”, afirma.

Ivan Pinheiro, secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro (PCB), organização participante do encontro, acredita que a crise confere ao evento uma “importância extraordinária, na medida em que permite não só uma reflexão multifacetada e consistente como também a oportunidade histórica dos comunistas contribuírem para dar uma resposta dos trabalhadores e dos povos em âmbito mundial”.

Na sua opinião, o encontro também deve contribuir para a unidade internacional das forças de esquerda, “na perspectiva de uma luta global contra os efeitos da crise”. “Outra tarefa importante é dar passos seguros no sentido de reforçar a unidade de ação dos comunistas”, acrescenta.

Conjuntura
 
Pinheiro avalia que a turbulência atual é a mais grave de toda a história do capitalismo, pois não é apenas financeira, apresentando elementos estruturais. Além disso, trataria-se de uma crise política do discurso neoliberal. Nesse sentido, ela derrota dois mitos: o do Estado-mínimo e o de que a classe operária diminuiu de tamanho e qualidade de intervenção.

“Num primeiro momento, com uma correlação de forças desfavorável, o proletariado deve perder muito. Mas a crise tornará evidente a centralidade do trabalho. No médio prazo, a crise pode elevar a consciência das massas e a tendência é de uma contra-ofensiva dos trabalhadores, sobretudo nos países mais desenvolvidos”, aposta Pinheiro.

Confrontar o capitalismo é a saída de longo prazo para a crise também na avaliação de José Reinaldo. De acordo com ele, os governos buscam soluções pontuais seguindo duas tendências. A primeira, conservadora, propõe desviar trilhões de dólares ou euros dos orçamentos nacionais para ajudar instituições financeiras. A outra, social-democrata, confia na construção de novos mecanismos de regulação do sistema a partir de um acordo entre os países emergentes e desenvolvidos. “É a ilusão no 'multilateralismo financeiro'. Esse foi o debate e essas são as conclusões que retiramos do convescote de Washington [Estados Unidos] do dia 15, a reunião do G-20”, analisa.

José Reinaldo insiste que não há saídas para a crise nos marcos do sistema. “Podem encontrar soluções tópicas de curta duração, mas o capitalismo não pode ser reformado no sentido virtuoso, não aponta perspectiva de sanar as contradições sociais”, conclui.
 

 

Para superar o capitalismo

 

Fonte: Brasil de Fato

publicado por subterraneodaliberdade às 23:21
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