12 de Dezembro de 2008

Se o Partido Socialista ainda têm alguma base de apoio de esquerda, que o permite confundir o povo como sendo um partido de esquerda, a sua direcção partidária assume-se de direita, tendo em conta as políticas  postas em prática e algumas atitudes e tiques autoritários e antidemocráticos dos seus responsáveis que tem reflexos negativos no comportamento da nossa sociedade.

 

Em Maio de 2007, o professor de Inglês Fernando Charrua, que trabalhava há quase 20 anos na DREN, foi suspenso de funções depois de ter feito um comentário ao caso da licenciatura de José Sócrates na Universidade Independente, durante uma conversa com um colega, dentro do seu gabinete.
A directora regional classificou o comentário de “insulto” e justificou a suspensão e a abertura do processo disciplinar alegando tratar-se de uma situação “extremamente grave e inaceitável”.
“Uma coisa é um comentário ou uma anedota, outra coisa é um insulto. Não tomei a decisão de ânimo leve”, afirmou Margarida Moreira, adiantando que “o inquérito será justo” e que o professor será ressarcido, caso se prove a sua inocência neste caso.

Um processo de disciplinar a um professor por uma graça é um exemplo claro de intimidação fascista.

 

No dia 28 de Junho de 2007 foi exonerada do cargo de directora do centro de saúde de Vieira do Minho uma profissional de medicina, por não mandar retirar um cartaz contendo declarações "em tom jocosos" segundo o ministro da saúde da altura Correia de Campos. A demissão da directora "por falta de lealdade" mostra as características deste governo. Exonerar uma directora por não ser delatora é um exemplo claro de intimidação fascista.

 

No dia 13 de Dezembro de 2007, é assinado o "Tratado de Lisboa", assim denominado para enganar os povos que não se tratava do mesmo projecto europeu rejeitado anos antes pelo NÃO francês e holandês. Sócrates, primeiro-ministro do governo do partido socialista e ponta-de-lança do capitalismo europeu para impor aos europeus um projecto  neoliberal, federalista e militarista, rejeita, mais tarde, a realização de um referendo, em Portugal. A tentativa de impor um "Tratado" sem ouvir o Povo e sem uma discussão séria e esclarecedora é um exemplo claro de imposição fascista.

 

 

A 12 de Novembro de 2008, dois jovens militantes da JCP foram condenados por escrever num viaduto em Viseu "Tornar o Sonho Realidade". O atentado à liberdade de expressão não pode estar desligado do quadro crescente de limitação à liberdade e democracia e dos abusos de poder limitativos do regime democrático acima referidos. A condenação dos dois jovens militantes da JCP por quererem tornar o sonho realidade é um exemplo claro de intimidação fascista.

 

Esta semana, foi instaurado um processo disciplinar, com intenção de despedimento, a três trabalhadores da REFER por terem participado na greve de 1 de Outubro de 2008, em Viana do Castelo.

Por o caso ser recente vou fazer um breve relato do acontecimento.

Os três trabalhadores foram provocados por um cacique, este eunuco (como dizia o Zeca Afonso) que se intitula de Engenheiro, tal como outro, é o cão de fila lá do sitio, que conseguiu o seu cargo sabe se lá como... resolveu chamar a policia e obrigar o piquete de greve a entregar as chaves da estação para por os comboios a circular, mas essa ordem foi recusada pelos trabalhadores em greve, enfurecido (não fosse o seu dono puxar-lhe as orelhas) arromba a pontapé a porta de acesso à estação. Tudo isto perante a policia. Posteriormente, faz a substituição ilegal dos trabalhadores e debaixo de uma enorme insegurança tenta pôr os comboios a circular. Por fim, já cor-de-rosa de raiva o eunuco ameaça os trabalhadores de informar a empresa e atribuir as responsabilidades.

Esta atitude é um atentado ao direito à greve e ao direito dos trabalhadores.

A instauração de um processo disciplinar por exercer o direito à greve, com intenção de despedimento, é exemplo claro de intimidação fascista.

 

Muitos outros exemplos ficaram por mencionar por manifesta falta de tempo, como é exemplo claro a lei dos financiamentos dos partidos tentativa de estrangular financeiramente o PCP. Mas pode ser que volte à carga.

 

Para terminar quero fazer um breve comentário, em quanto escrevia esta minha opinião, uma música não me saia da cabeça.

 

"O fascismo é uma minhoca

que se infiltra na maçã

ou vem com botas cardadas

ou com pezinhos de lã"

 

publicado por subterraneodaliberdade às 00:21

Completamente de acordo camarada! infelizmente as semelhanças entre este partido socialista e o estado ditatorial fascista são por demais evidentes e cada vez mais correntes.

Saudações revolucionárias
Jorge a 12 de Dezembro de 2008 às 01:54
O PCP pode (e deve) reclamar o seu papel fundamental e imprescindível na luta antifascista que antecedeu o 25 de Abril de 1974.
Mas não devem ser idolatrados com base nesse passado que, felizmente, a grande maioria dos actuais comunistas não teve de vivenciar.
No pós 25 de Abril o PCP teve de se integrar no pluralismo democrático mas ainda não convenceu de que o fez por convicção.
Bastará relembrar-se a tentativa de imposição da unicidade sindical, os SUV, os saneamentos selvagens de quadros de empresas, o 11 de Março de 1975, o sequestro da Assembleia Constituinte, as ocupações selvagens de habitações vagas, as nacionalizações de sectores-chave da economia e demais actos nada credíveis levados a cabo pelos comunistas, para recordarmos o que, no plano democrático e económico, foi posto em causa pela acção culposa e danosa do PCP.
Em democracia o PCP ainda tem um currículo pouco fiável.
O seu desempenho democrático, manchado por desmandos cometidos no pós 25 de Abril, ainda continua em avaliação contínua.
E não se venha argumentar que esses factos ocorreram em tempos que já lá vão e que por isso nada interessam à situação actual. É que se esse argumento fosse válido também serviria para desvalorizar a história antifascista do PCP e o seu passado de luta?!
Desde Abril de 1974 sopram do lado do PCP ventos sectariamente críticos e impiedosos contra praticamente tudo que cheire a PS, inclusive a sentença patética de que o PS e os socialistas são de direita.
Se os demais partidos de esquerda tivessem a mesma credibilidade democrática do PCP, a direita tenderia a perpetuar-se no poder e o continente português tenderia a ser uma cópia política do bailinho da Madeira...
De certo isso agradaria mais ao PCP.
Desse modo poderia recuar aos anos 80, em que o poder esteve nas mãos da AD (PSD e CDS), e o PCP trocou as mãos e, em todas as localidades onde a AD lhe abriu os braços, o PCP juntou-se à direita sem qualquer pudor e fez questão de se esquecer de tocar a velha e hipócrita sinfonia da unidade de esquerda!
Contudo, por mais que o PCP se erga nas pontas dos pés, ser de esquerda não é um posicionamento que dependa dos velhos processos de avaliação do PCP. E ninguém politicamente bem informado se preocupa com esses devaneios do velho PCP.
O PCP não é a válvula de segurança da democracia e muito menos da esquerda portuguesa.
Nos tempos actuais ainda está por clarificar a vocação actualizada de esquerda do PCP, pois o que se sabe é que o PCP é um partido da velha esquerda!
Como seria possível situar-se o velho PCP na esquerda moderna (e actualizada) quando ele continua a defender regimes onde só os comunistas têm o privilégio de se afirmar como partido, como ocorre, por exemplo, quanto a Cuba?!
Afigura-se mais fácil o rejuvenescimento do regime Cubano e a sua abertura à democracia pluralista do que a reconversão dos dogmas leninistas do PCP, que o impedem de adoptar conceitos que inspiram a esquerda moderna!
Quando o velho PCP conseguir mobilizar as necessárias forças internas para fazer emergir o novo PCP, esse partido rejuvenescido será bem vindo e contará, desde logo, com a mais valia de poder passar a exibir um currículo democrático mais fiável e mais ajustado ao seu historial de luta contra a ditadura...
Até lá teremos um velho PCP que antes de Abril foi forte contra a ditadura e que depois de Abril se tem revelado demasiado fraco para renegar certas ditaduras!...
Jorge Silva a 21 de Janeiro de 2009 às 22:37
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