17 de Fevereiro de 2009

A proposta de aumento dos salários pode parecer, numa análise superficial, um absurdo em tempos de crise.

 

No entanto, numa análise mais profunda e reflexão das verdadeiras causas da crise reconhecemos que é a única e mais justa solução para ultrapassamos as dificuldades que afecta única e exclusivamente os trabalhadores, reformados e os pequenos comerciantes e empresários.

 

Com o avanço tecnológico as empresas aumentaram, substancialmente, a sua produção, mas continuavam a praticar salários baixos,  surgiu então um problema. Como escoar os produtos se os trabalhadores não tem poder de compra?

 

A resolução do problema para o capital foi o incentivo do crédito bancário ao consumo. Assim o capitalista lucrava duas vezes, escoava os produtos obtendo o respectivo lucro e fazia empréstimos bancários obtendo o respectivo juro.

 

Só que o balão de oxigénio, que preenchia o espaço entre os salários baixos e o crescimento da produção, arrebentou e o capital está, novamente, a braços com o problema de escoamento dos produtos porque os trabalhadores perderam o poder de compra fictício.

 

Há quem defenda que a culpa de recorrer ao crédito é dos trabalhadores, que não se sabem governar. Era o crédito à habitação, o carro, as férias e até as prendas de natal. Mas se aos salários baixos, juntarmos o marketing comercial e financeiro agressivo e a propensão ao consumo inerente ao ser humano, que outro resultado poderia ter a solução apresentada pelo capital?

 

Não rejeito alguma responsabilidade individual, mas da mesma forma que ao observamos o traficante a vender ao toxicodependente exigimos a prisão de um e o tratamento do outro, também, aqui exigimos a ruptura com a política ao serviço do capital e o aumento dos salários e reformas.

 

No entanto, não foi assim que José Sócrates e o Governo PS entenderam ao criarem o Código de Trabalho que hoje entrou em vigor. Com este código não só não prenderam o capital como lhe deram quase total liberdade e aos trabalhadores fragilizaram-nos ainda mais com trabalho mais precário e perda de remuneração (subsídios de turno e horas extraordinárias).

 

Só com o aumento de salários e reformas os trabalhadores aumentarão o seu poder de compra e, só isso, será a verdadeira alavanca para o crescimento económico.

 

O talho vendia mais carne, a peixaria mais peixe, a supermercado mais mercearia, o restaurante mais almoços, a livraria mais livros, os cafés mais café, a boutique mais vestuário, a sapataria mais calçado, etc...

 

Por isso até aos pequenos comerciantes e empresários seria benéfico o aumento dos salários e reformas. Só o grande capital deixaria de poder concentrar a riqueza criada por todos nós porque o aumento dos salários e reformas é a justa distribuição da riqueza. Só ele seria o grande perdedor com o aumento dos salários.

 

Mas é o grande capital o ganhador porque tem um governo que o sustenta.

Cabe aos trabalhadores, em ano eleitoral, cortar o mal pela raiz.  

 

publicado por subterraneodaliberdade às 22:32
Certíssimo. Um aumento geral extraordinário dos salários e das pensões mais baixas é uma justa reivindicação e inteiramente adequada à luta neste período, contra o propósito do grande capital de usar a sua crise para intensificar a sobreexploração dos trabalhadores.
Saudações fraternas.
julio filipe a 18 de Fevereiro de 2009 às 19:59
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