22 de Novembro de 2009

Muros, mortos e mentiras

Jorge Cadima; 19 de Novembro de 2009

 

«O adeus ao comunismo? Provocou um milhão de mortos». O título não é duma publicação comunista. É dum jornal do grande capital italiano, o Corriere della Sera (9.11.09), que noticia um estudo de professores de Oxford e Cambridge, publicado na conceituada revista médica britânica The Lancet. «Baseados nos dados da UNICEF, de 1989 a 2002» os autores afirmam que «as políticas de privatização em massa nos países da União Soviética e na Europa de Leste aumentaram a mortalidade em 12,8% […] ou seja, causaram a morte prematura a um milhão de pessoas». «Morreu-se mais lá onde se adoptaram as “terapias de choque”: na Rússia, entre 1991 e 1994, a esperança de vida diminuiu em 5 anos». Conclusões de estudos anteriores foram ainda mais gravosas. Como escreve o Corriere della Sera, «A agência da ONU para o desenvolvimento, a UNDP, em 1999 contabilizou em 10 milhões as pessoas desaparecidas na telúrica mudança de regime, e a própria UNICEF falou em mais de 3 milhões de vítimas». Foi para celebrar estes magníficos resultados que o estado-maior do imperialismo se reuniu em Berlim, com pompa, circunstância e transmissões televisivas infindáveis, numa comemoração de regime dos 20 anos da contra-revolução a Leste.

 

 

O balanço da restauração do capitalismo é ainda mais grave. Mesmo sem falar no sofrimento dos vivos a Leste – o alastrar de pobreza extrema, dos sem-abrigo, da prostituição, da tóxico-dependência ou a emigração em massa para sobreviver – os efeitos das contra-revoluções de 1989-91 fizeram-se sentir em todo o planeta. As “terapias de choque” dum imperialismo triunfante e ávido de reconquistar as posições perdidas ao longo do Século XX tornaram-se uma mortífera realidade global, e tiveram em 2008 o seu corolário inevitável: a maior crise do capitalismo desde os anos 30. Uma escalada de mortíferas guerras foram ao mesmo tempo desencadeadas pelo imperialismo, liberto do contrapeso dos países socialistas.

 

Muitas centenas de milhares de mortos (mais de 650 mil só no Iraque, segundo outro estudo publicado em 2006 na Lancet) são o fruto da “queda do Muro” no Golfo, na Jugoslávia, no Afeganistão, no Iraque, no Líbano, na Palestina, e agora no Paquistão – para não falar das agressões “menores”. E foram acompanhadas pelo “Gulag” de prisões secretas dos EUA espalhadas por todo o mundo, no qual desaparecem milhares de pessoas raptadas e torturadas por um sistema de repressão acima de qualquer controlo. Os dirigentes do “mundo livre” que se juntaram, ufanos, em Berlim, são todos responsáveis por este banho de sangue e repressão. Podem mostrar-se de cara simpática e tratarem-se amigavelmente por Hillary, Angela, Nicolas, Bill, Tony ou «porreiro, pá». Mas das suas mãos escorre o sangue e sofrimento de milhões de pessoas em todo o planeta – de Peshawar a Guantánamo (que continua aberta), de Abu Ghraib às Honduras (que continua sob controlo dos golpistas e a indiferença da comunicação social “democrática”), das maquiladoras mexicanas aos campos de refugiados palestinos (que continuam – há 60 anos – à espera do seu Estado).

 

Pelo “Gulag” democrático-ocidental passou Khalid Shaikh Mohammed, que vai agora a julgamento nos EUA, acusado de ser o responsável primeiro do 11 de Setembro (mas não era o Bin Laden?). Segundo o New York Times (15.11.09) «foi submetido 183 vezes à técnica de quase afogamento chamada waterboarding». O jornal afirma que ele também se diz responsável «por uma série de conspirações» como «tentativas de assassinato do Presidente Bill Clinton, do Papa João Paulo II e as bombas de 1993 no World Trade Center». Mais um afogamento simulado e confessaria também ser responsável pelo aquecimento global e o sumiço de D. Sebastião em Alcácer-Quibir. Mas atente-se na vida do acusado: paquistanês, criado no Kuwait e diplomado por uma universidade americana viajou, após os estudos, «para o Paquistão e o Afeganistão, a fim de se juntar aos combatentes mujahedines que, nessa altura, recebiam milhões de dólares da CIA para lutar contra as tropas soviéticas» (NYT, 15.11.09). Afeganistão hoje ocupado e onde «segundo responsáveis da NATO […] um terço dos polícias afegãos são toxicodependentes» (Sunday Times, 8.11.09). Admirável mundo novo que a “queda do Muro” pariu!

 

Fonte: Avante

publicado por subterraneodaliberdade às 00:37
"Sei, por ouvir falar, que o estalinismo tornou-se uma moda tardia, uma espécie de doença infantil, em certos sectores do partido. Basta ler certos artigos do Avante ou um livro escrito por um Belga de um partido maoista, similar ao MRPP (Ludo Martens) , prefaciado por Carlos Costa."

Estas não são as minhas palavras. Foram escritas por Nuno Ramos de Almeida, no blog "Cinco Dias".
Conheço o pai de Nuno Ramos de Almeida, com quem já falei acerca das mentiras ditas contra o comunismo.
O meu pai era comunista e eu nunca pus em questão o que me dizia acerca da União Soviética ou até da figura de José Estáline.
Quando meu pai faleceu em Janeiro de 2005, não baixei os braços e fui à procura de literatura acerca de José Estáline e da União Soviética.
Após algumas leituras soube ver o modo como a imprensa capitalista tratava o caso.
Algumas dessas metiras provinham dos tempos do nazismo, como por exemplo, o incêndio do Reichtag, um bom pretexto para que o partido de Adolph Hitler extinguisse o partido comunista alemão e deportasse vários membros deste partido para campos de concentração, como Ernst Thalmann que viveu aprisionado desde 1933 até 1944, sendo eliminado às ordens de Heinrich Himmler, mais conhecido por "Hmmler do estrume".
O mito do genocídio cometido pelos bolcheviques na Ucrânia já havia sido propagandeado por Goebbels, antes da preparação da guerra com a União Soviética. O propósito desta campanha era preparar a opinião pública para a suposta libertação da Ucrânia pelo exército hitleriano.
Também William Randolph Hearst ajudou à fabricação do mito de milhões de mortos. Este acusava os comunistas de provocarem o genocídio.
Colaboradores názis ucranianos foram ajudados pelos E.U.A., no tempo de McCarthy, a difundir ainda mais esta mensagem. A publicação de "Black Deeds of the Kremlin" foi financiada por refugiados ucranianos nos E.U.A.
A publicação de "Harvest of Sorrow" de Robert Conquest ajudou a alimentar este mito.
Alexander Solzhenitsyn também colaborou na fabricação da fraude.
Em resumo, o rol de metiras e falsidades contra a experiência soviética no campo socialista é enorme. Ainda hoje, as mentiras proclamadas pelos názis são repetidas e exageradas a números extraordinários.
As falsas ideias de um horror nunca antes experimentado na história da humanidade, atribuído à União Soviética de Estáline, são uma forma de criar naqueles que procuram algum esclarecimento , uma desilusão de tal maneira que abandonem a luta no campo socialista e vivam presos aos modos de opressão e repressão capitalista.
Mesmo hoje, alguns historiadores de direita querem recuperar a imagem de Hitler, mentindo em relação à figura de Estáline. A falsa ideia de que Estáline terá morto mais comunistas que Hitler é proclamada para atenuar os crimes provocados por Hitler e o seu bando.
Num mundo cada vez menos dado ao pensamento, à dúvida e ao eclarecimento, os meios de comunicação social dominados pelo sistema capitalista manipulam as mentes daqueles que não têm tempo para pensar. Como tal, preferem que outros pensem por eles e digam-lhes diariamente aquilo que devem pensar.
Assim, a tarefa daqueles que procuram esclarecer as suas dúvidas em torno de uma melhor clarificação de aspectos subvertidos pela nova comunicação social , torna-se mais árdua e, em muitos casos, ingrata, pois são os meios de comunicação social capitalista que gerem o conhecimento.
Para os esclarecidos que usam o pensamento contra o esquema duvidoso, as tarefas de clarificação são incessantes e obedecem a um trabalho redobrado. Para os que escolheram a outra via obscura e mais cómoda, pouco há fazer a não ser mudar de rumo.

As minhas desculpas pelo tamanho do comentário e os meus parabéns pelo seu artigo que li com bastante interesse no jornal "Avante!"



Jorge Nunes a 27 de Novembro de 2009 às 22:30
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