25 de Março de 2010

Serras, veredas, atalhos,

Estradas e fragas de vento,

Onde se encontram retalhos

De vidas em sofrimento

 

Retalhos fundos no rostos,

Mãos duras e retalhadas

Pelo suor do desgosto,

que talha as caras fechadas

 

O caminho que seguiste,

Entre gente pobre e rude,

Muitas vezes tu abriste

Uma rosa de saúde

 

Cada história é um retalho

Cortado no coração

De um homem que no trabalho

Reparte a vida e o pão

 

As vidas que defendeste,

E o pão que repartiste,

São a água que tu bebeste

Dos olhos de um povo triste

 

E depois de tanto mundo,

Retalhado de verdade,

Também tu chegaste ao fundo

Da doença da cidade

 

Da que não vem na sebenta,

Daquela que não se ensina,

Da pobreza que afugenta

Os barões da medicina

 

Tu sabes quanto fizeste,

A miséria não se cura,

Nem mesmo quando lhe deste

A receita da ternura

 

Cada história é um retalho

Cortado no coração

De um homem que no trabalho

Reparte a vida e o pão

 

As vidas que defendeste,

E o pão que repartiste,

São a água que tu bebeste

Dos olhos de um povo triste

 

 

 

publicado por subterraneodaliberdade às 21:36
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