26 de Dezembro de 2010

Dizem que os subterrâneos do Convento de Mafra estão cheios de ratos que são alimentados pelos próprios militares. Não é para lhes matar a fome, é para os impedir que subam aos andares superiores a exigirem comida.

 

É este o espírito que mobiliza, salvo honestas excepções, as muitas almas caridosas que surgiram em ano europeu contra a pobreza.

 

Almas caridosas tão bondosas e magnânimas que fazem parecer insensíveis as pias senhoras dos fascistas salazarentos, quando tiveram a cristã ideia de tirar aos porcos para dar aos pobres os restos da comida.

 

É cristão! Afinal os pobres satisfazem-se com pouco! Dizem. O que parece ser verdade segundo o relato do candidato Nobre – o tal filho político de pai conhecido, que rejeita os partidos mas já apoiou três e tem mais de meia família no topo hierárquico da AMI – conta ele da criança que só queria o pedacito de pão em vez da galinha.

 

Mas quem são, verdadeiramente, as almas caridosas?

 

A Igreja e o seu séquito de ratos de sacristia que anda há dois milénios a pregar a esmola sem resolver o flagelo e para quem a pobreza é virtude, que o diga Francisco Assis que para castigo não quis tributar os ricos. São uns pecadores que rejeitam a virtude, por isso, têm a porta do céu cerrada já que é mais fácil o camelo passar no buraco da agulha. O paraíso deles é na Terra! Pecadores!

 

Os políticos de direita que distribuem cabazes de natal, enquanto fazem patifarias contra o emprego efectivo, o salário digno e apoios sociais justos, ou seja, segundo eles tudo que o pobre não precisa. Caridade! Caridadezinha! Dizem. Emprego! Salários dignos! Tolices! Invenções dos vermelhos!


 

 

Os três reis magos – Helena André, João Proença e António Saraiva – com curso superior na escola do sindicalismo "moderno" (UGT) idealizado pelo Mário Soares – o tal pai conhecido – e o seu enteado político Manuel Alegre – o tal independente, que tem partido e é apoiado por dois – que acham que 500 € de salário mínimo é um luxo, que os patrões não podem suportar, e não é fundamental para muitos trabalhadores que em Portugal, também, são pobres. Bela prenda não para Jesus, mas directamente para os Espíritos Santos.

 

Argumentam que a economia nacional não aguenta, mesmo sabendo que o salário é o melhor mecanismo de distribuição da riqueza produzida e esta tem-se concentrado num punhado de almas caridosas, demonstrando que o valor do salário se tem reduzido.

 

Argumentam que os pequenos empresários não aguentam, mesmo sabendo que estes vivem, essencialmente, do mercado interno necessitando para o seu desenvolvimento do aumento do poder de compra.

 

Almas caridosas! Caridadezinha! Este mundo seria perfeito senão houvesse almas vermelhas! Cor do chibo! Cassete na boca e cartilha na mão. E essa alma tresmalhada de sua graça Francisco Lopes, que segundo a cavacal alma caridosa nos assombra com radicalismos e irrealismos: na defesa do sector produtivo, dos interesses nacionais, criação de emprego efectivo, aumento de salários e protecção social. Deus nos livre! Sopinha! Sopinha é que é preciso! Por isso digo a estas almas caridosas, Sopa dos pobres! Comam vocês!

publicado por subterraneodaliberdade às 18:55
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