27 de Novembro de 2007

 
 

                      Foi como se não bastasse
                      tudo quanto nos fizeram
                      como se não lhes chegasse
                      todo o sangue que beberam
                      como se o ódio fartasse
                      apenas os que sofreram
                      como se a luta de classe
                      não fosse dos que a moveram.
 
 
                      Foi como se as mãos partidas
                      ou as unhas arrancadas
                      fossem outras tantas vidas
                      outra vez incendiadas.
 
 
                      À voz de anticomunista
                      o patrão surgiu de novo
                      e com a miséria à vista
                      tentou dividir o povo.
 
 
                      E falou à multidão
                      tal como estava previsto
                      usando sem ter razão
                      a falsa ideia de Cristo.
 
 
                      Pois quando o povo é cristão
                      também luta a nosso lado
                      nós repartimos o pão
                      não temos o pão guardado.
 
 
                      Por isso quando os burgueses
                      nos quiserem destruir
                      encontram os portugueses
                      que souberam resistir.
 
 
 
                      E a cada novo assalto
                      cada escalada fascista
                      subirá sempre mais alto
                      a bandeira comunista.
  
 
 
                    José Carlos Ary dos Santos
 
 
publicado por subterraneodaliberdade às 21:48
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Uma grande entrada na blogosfera!
Ary dos Santos, o Poeta da Revolução, deixou um legado poético e revolucionário valiosissimo e a sua evocação é sempre uma justa homenagem. Parabéns!

Bem-vindo à blogosfera!

Um grande abraço.
vermelho vivo a 30 de Novembro de 2007 às 23:29
Passageiros entre palavras fugazes:
Carreguem os vossos nomes e vão-se embora,
Cancelem as vossas horas do nosso tempo e vão-se embora,
Levem o que quiserem do azul do mar
E da areia da memória,
Tirem todas as fotos que vos apetecer para saberem
O que nunca saberão:
Como as pedras da nossa terra
Constroem o tecto do céu.
Passageiros entre palavras fugazes:
Vocês têm espadas, nós o sangue,
Têm o aço e o fogo, nós a carne,
Têm outro tanque, nós as pedras,
Têm gases lacrimogéneos, nós a chuva.
Mas o céu e o ar
São os mesmos para todos.
Levem uma porção do nosso sangue e vão-se embora,
Entrem na festa, jantem e dancem...
Depois vão-se embora
Para nós cuidaremos das rosas dos mártires
E viveremos como queremos.
Passageiros entre palavras fugazes:
Como poeira amarga, passem por onde quiserem, mas
Não passem entre nós como insectos voadores
Porque temos guardada a colheita da nossa terra.
Temos trigo que semeámos e regámos com o orvalho dos nossos corpos
E temos aqui o que não vos agrada:
Palavras e pudor
Se quiserem, levem o passado ao mercado de antiguidades
E devolvam o esqueleto à poupa
Numa travessa de porcelana.
Temos o que não vos agrada: o futuro
E o que semeamos na nossa terra.
Passageiros entre palavras fugazes:
Amontoem as vossas fantasias numa
Sepultura abandonada e vão-se embora,
Devolvam os ponteiros do tempo à lei do bezerro de ouro
Ou ao horário musical do revólver
Porque aqui temos o que não vos agrada.
Vão-se embora
E temos o que não vos pertence:
Uma pátria e um povo exangue,
Um pais útil para o olvido e para a memória.
Passageiros entre palavras fugazes:
É hora de vocês se irem embora.
Fiquem onde quiserem, mas não entre nós.
É hora de se irem embora
Para morrerem onde quiserem, mas não entre nós
Porque nós temos trabalho na nossa terra
E aqui temos o passado,
A voz inicial da vida,
E temos o presente e o futuro,
Aqui temos esta vida e a outra.
Vão-se embora da nossa terra,
Da nossa terra, do nosso mar,
Do nosso trigo, do nosso sal, das nossas feridas,
De tudo... vão-se embora
Das recordações da memória,
Passageiros entre palavras fugazes

Mahmud Darwish
Símbolo da cultura da Palestina
a formiga a 29 de Dezembro de 2007 às 01:19
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