16 de Junho de 2011

 

 

 

Vidas na Clandestinidade
Cristina Nogueira

 

«Procuramos neste livro caracterizar a clandestinidade comunista, enquanto contexto de vida e de luta, e descobrir as normas de conduta, regras, códigos éticos e morais, e até a linguagem particular que os clandestinos assumiam. Pretendemos assim equacionar a cultura própria que emana da clandestinidade comunista, caracterizando não tanto a organização partidária numa perspectiva macro-estrutural, mas lançando um olhar para o quotidiano da vida clandestina, usando como fonte privilegiada de informação as vozes daqueles que permaneceram clandestinos e que nos forneceram as suas narrativas biográficas.»

 

 

Excertos

 

"Eu quando passei à clandestinidade assumi o risco da clandestinidade, e com tudo aquilo que implicava essa assunção, podia ser preso, podia ser torturado, podia ser torturado até à morte, podia estar uma data de anos na cadeia, e portanto, isso era uma assunção que tínhamos, não por grande obreirismo ou por valentia, era uma questão de consciência. Nós tínhamos as qualidades que têm as pessoas normais, a coragem, a firmeza de carácter, etc., etc., tínhamos outra coisa mais que era a consciência que vem com a luta, mas de qualquer forma daqui não levavam nada, e portanto esta era a solução." (António Dias Lourenço)

 

"[Viver na clandestinidade] é a gente esquecer-se da família, no bom sentido. Não podia telefonar, não podia escrever, não podia nada, não podia ter encontros, não podia ter nada. Os meus irmãos, muitas vezes, os dois eram seguidos pela PIDE, quando saíam da terra por qualquer motivo, iam atrás deles, e eles percebiam, mas eles não iam ter comigo, nem nada. Só em casos muito, muito, muito excepcionais é que havia um encontro de um clandestino com um familiar. Casos muitos excepcionais. Por exemplo, morreu-me o meu pai e eu só soube uns 4 ou 5 meses depois, estava em Leça da Palmeira, quando o meu pai morreu em 59, princípios de 59, e os tipos aqui, quando foi o funeral do meu pai  veio uma brigada da PIDE de Lisboa e tudo, à espera que eu fosse lá, os tipos meteram na cabeça que eu podia ir ao funeral e eu nem sabia, quanto mais vir." (João Honrado)

 

publicado por subterraneodaliberdade às 14:00
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