30 de Setembro de 2008

 
 
                   Vararam-te no corpo e não na força
                        E não importa o nome de quem eras
                        naquela tarde foste apenas corça
                   indefesa morrendo às mãos das feras
 
                   Mas feras é demais. Apenas hienas
                   tão pútridas tão fétidas tão cães
                   que na sombra farejam as algemas
                   do nome agora morto que tu tens.
 
                   Morreste às mãos da tarde mas foi cedo
                   Morreste por que não às mãos do medo
                   que a todos pôs calados e cativos
 
                   Por essa tarde havemos de vingar-te
                   por essa morte havemos de cantar-te
                   Para nós não há mortos. Só há vivos.
 
 
Ary dos Santos    
(1937-1984)       
publicado por subterraneodaliberdade às 22:10
29 de Setembro de 2008

 
 
               Não hei-de morrer sem saber
               qual a cor da liberdade.
 
               Eu não posso senão ser
               desta terra em que nasci.
               Embora ao mundo pertença
               e sempre a verdade vença,
               qual será ser livre aqui,
               não hei-de morrer sem saber.
 
               Trocaram tudo em maldade,
               é quase um crime viver.
               Mas, embora encondam tudo
               e me queiram cego e mudo,
               não hei-de morrer sem saber
               qual a cor da liberdade.
 
Jorge de Sena    
(1919-1978)    
 
 
 
publicado por subterraneodaliberdade às 19:47
28 de Setembro de 2008

 
 
     Estes 85 momentos da história do PCP são também momentos inseparáveis da luta dos trabalhadores e do Povo Português.(...)
 
 
III Congresso do PCP - (I Ilegal)
 
 
     De 10 a 13 de Novembro de 1943 - num momento em que os exércitos nazis ainda dominavam a Europa e a ditadura salazarista sufocava o País com métodos extremos de privação de liberdade - o PCP realiza o seu III Congresso - o 1º clandestino. As sessões decorrem na vivenda Vila Arriaga, no Monte Estoril - Cascais, com a presença de 17 delegados. São aprovados os documentos: "Unidade da Nação Portuguesa na Luta pelo Pão, pela Liberdade e Independência"; "O Partido e as Grandes Greves de 1942 e 1943"; "Tarefas de Organização"; "A Actividade do Grupelho Provocatório"; e "Pela Liberdade e pela Democracia, pela Salvação da Jovem Geração da Miséria Económica e Cultural".
     O III Congresso marca uma grande viragem na história do Partido. A partir daí - apesar das ferozes arremetidas da prisão e dos duros golpes sofridos - O PCP conseguiu garantir a estabilidade e a continuidade do seu trabalho de direcção, o constituiu uma das fontes dos seus êxitos, da sua capacidade e experiência política, da sua actuação e orientação.
     Neste Congresso o PCP afirmou o princípio, desde então rigorosamente cumprido, de garantir o máximo respeito pelos métodos democráticos na vida interna do Partido.
 
 
     "A juventude desempenha um importante papel no movimento de unidade nacional antifascista. A juventude traz ao movimento antifascista a sua audácia, a sua fogosidade, o seu entusiasmo.
     "[...] Mas seria um erro considerar o movimento antifascista da juventude somente sob este aspecto da sua participação no movimento de unidade nacional. A juventude tem interesses próprios a defender, tem reivindicações próprias a formular. Devemos fazer todos os esforços para criar em Portugal amplos movimentos juvenis, movimentos e lutas que visem defender os interesses próprios da juventude."
         (in Informe Político)
 
     "Hoje podemos constatar que o nosso Partido se tornou um Partido nacional pela sua organização e pela influência crescente nas nossas organizações entre as massas. Hoje, o nosso Partido pode contar já com uma centena de organizações locais e regionais e, nos grandes centros, com umas dezenas de celulas de empresa."
         (in Informe sobre Tarefas de Organização)
 
     "É necessário lançarmo-nos decididamente a uma acção em larga escala para converter os Sindicatos Nacionais, de organismos defensores dos interesses do patronato, em organismos defensores dos interesses da classe operária."
         (in Resolução sobre a Questão de Organização)
 
    
publicado por subterraneodaliberdade às 01:36
26 de Setembro de 2008

 
 
     O Comité Central do Partido Comunista Português apresentou, ontem, para debate as Teses que são a base do documento definitivo a ser discutido no XVIII Congresso.
 
       Este documento deve ser lido, reflectido e discutido em todas as organizações e por todos os militantes para que haja contribuições quer colectivas, quer individuais de alteração das Teses de forma a torna-las mais correctas e mais adequadas ao futuro do Partido Comunista Português.
 
     Conforme está escrito no próprio documento: As Teses não são, nem pretendem ser, um documento acabado.(...)
       (...) o Comité Central apela a uma intensa, interessada e activa participação de todos os militantes, sustentada numa firme consciência da importância da opinião e da experiência de cada um (...).
 
     As Teses estão divididas em 4 partes: Situação internacional; Situação nacional; Luta de massas e acção do PCP e o Partido.
 
      A situação internacional é marcada pela crise financeira, de grande instabilidade e incerteza, e criou aos trabalhadores e povos de todo mundo enormes dificuldades.
      Esta crise financeira é reflexo das contradições do capitalismo, sendo, muitas vezes, apresentada como a própria crise do capitalismo. No entanto, saliento que o capitalismo tem que continuar a ser combatido, não se pode estar à espera que definhe por si, porque o modelo capitalista vai tentar se regenerar mesmo que isso signifique o sacrifício de direitos laborais, sociais e humanos. Apesar dos reveses sofridos, a violenta ofensiva do imperialismo não dá sinais de recuo, antes se acentuam os seus traços fundamentais - exploração, opressão, agressão, militarismo e guerra.
     Não quero deixar de referir, que esta crescente ofensiva imperialista está a ser combatida com uma crescente luta de classe, que tem como consequência o surgimento de diversas sociedades que optaram pelo modelo socialista
 
     A situação nacional é igualmente preocupante, e apesar da crise internacional ter influência esta não é a principal causa das dificuldades nacionais, como nos querem fazer crer.
     As políticas de direitas adoptadas pelo PS, PSD e CDS-PP desde 1976, são as principais responsáveis pelo atraso económico, social e cultural do nosso país.
     A política de direita seguida pelo PS de José Socrates agravou a condição dos trabalhadores com a aprovação do código do trabalho. O PS retirou aos trabalhadores portugueses direitos fundamentais adquiridos: horário de trabalho; contratação colectiva; liberdade sindical; legalização da precariedade; perda de remuneração. Medidas laborais que terão como principal consequência a fragilidade dos trabalhadores e o aumento da exploração do homem pelo homem.
     A política de direita do PS atacou direitos sociais fundamentais: cortou serviços de saúde (fecho de urgências e maternidades) e estabelece várias medidas que podem implicar o fim do SNS, debilitou o serviço de educação universal e gratuíto, dificultou o acesso à justiça aos mais desfavorecidos.
     A política de direita do PS reduziu o poder de compra dos trabalhadores que só pode ser combatida com o aumento dos salários. 
 
     Estas políticas podem e devem ser combatidas, dai vem a todo o propósito a campanha nacional do PCP "É Tempo de Lutar, É Tempo de Mudar!. Os trabalhadores e o povo português só tem um caminho para alterar a situação internacional e nacional: A Luta! A Luta de Massas!
      É necessário lutar contra este código do trabalho, porque apesar da sua aprovação há muito a reivindicar e a defender.
     Não tinhamos ilusões, o capital tem outros objectivos para as relações laborais como: facilitar ainda mais os despedimentos e terminar com os subsídios de férias e natal. Por isso a luta é essencial. 
       É necessário lutar contra: a precariedade; os salários baixos; a perda do poder de compra; a perda de direitos sociais; as políticas de direita e o capitalismo.
      A luta é o caminho. Mas para ser travada os trabalhadores tem que se organizar. Organizar-se nos sindicatos, organizar-se em celulas de empresa, organizar-se em movimentos progressistas e revolucionários que defendam direitos fundamentais e organizar-se no Partido que defende os seus interesses: O Partido Comunista Português!
     
     E é aqui que entra o Partido.
     É o Partido Comunista Português que tem que criar as condições necessárias aos trabalhadores para se organizarem, apontando o caminho a seguir rumo ao socialismo.
     O Partido Comunista Português para estar à altura das exigências, tem que continuar a reforçar-se, tem que continuar a dinamizar-se e revolucionar-se, mas mantendo sempre, sempre o seu projecto socialista, a sua ideologia marxista e a sua classe trabalhadora, isto é, a sua identidade.
 
      Camaradas!
      leiam e esclareçam, ouçam e sejam esclarecidos, contribuam para o reforço e afirmação do Partido Comunista Português porque é um Partido indespensável.   
 
 

 

 Teses: www.pcp.pt/index.php

 

 

publicado por subterraneodaliberdade às 23:50
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                         Não desesperes, Mãe!
                         O último triunfo é interdito
                         Aos heróis que o não são.
                         Lembra-te do teu grito:
                         Não passarão!
 
                         Não passarão!
                         Só mesmo se parasse o coração
                         Que te bate no peito.
                         Só mesmo se pudesse haver sentido
                         Entre o sangue vertido
                         E o sonho desfeito.
 
                         Só mesmo se a raiz bebesse em lodo
                         De traição e de crime.
                         Só mesmo se não fosse o mundo todo
                         Que na tua tragédia se redime.
 
                         Não passarão!
                         Arde a seara, mas dum simples grão
                         Nasce o trigal de novo.
                         Morrem filhos e filhas da nação.
                         Não morre um Povo!
 
                         Não passarão!
                         Seja qual for a fúria da agressão.
                         As forças que te querem jugular
                         Não poderão passar
                         Sobre a dor infinita desse não
                         Que a terra inteira ouviu
                         E repetiu:
                         Não passarão!
 
Miguel Torga  
(1907-1995)    
 
publicado por subterraneodaliberdade às 21:14
25 de Setembro de 2008

 
 
                         Estou na prisão.
                         Prisão é tudo,
                         mesmo este pensamento
                         de revolta permanente
                         pois dele,
                         livre que sou
                         me não liberto.
                         Esta, porém, é mais estreita,
                         feita de muros e de grades
                         por homens e para homens,
                         que só se vence
                         pelo desprezo vertical,
                         pela teimosia vertical,
                         pelo amor violento.
 
Armindo Rodrigues    
 (1904-1993)       
em Sol dos Dias Tristes 
 
 
publicado por subterraneodaliberdade às 22:30

 
 
                         Grades me cortam os dias
                         grades as noites me cortam,
                         dos desígnios a que aspiro,
                         dos impulsos que me mordem,
                         das certezas que me abrigam,
                         das esperanças que me sorvem.
 
Armindo Rodrigues    
(1904-1993)       
em Sol dos Dias Tristes 
 
 
 
publicado por subterraneodaliberdade às 22:23
23 de Setembro de 2008

 

 
 
Faz 35 anos que faleceu o grande poeta chileno,
  
Pablo Neruda.
 
     Nascido Ricardo Eliezer Neftalí Reyes Basoalto, Neruda era filho de José del Carmen Reyes Morales, operário ferroviário, e de Rosa Basoalto Opazo, professora primária, morta quando Neruda tinha um mês de vida. Ainda adolescente adoptou o nome de pena Pablo Neruda (inspirado escrito checo Jan Neruda), que o acompanharia durante toda a vida, tornando-se seu nome legal, após acção de modificação do nome civil.
 
      "Meu caminho junta-se ao caminho de todos. E em seguida vejo que desdo sul da solidão fui para o norte que é o povo, o povo ao qual a minha humilde poesia quisera servir de espada e de lenço para secar o suor de suas grandes dores e para dar-lhe uma arma na luta pelo pão."
 
 
 

     Em 1936, eclode a Guerra Civil espanhola: Neruda é destituído do cargo consular e escreve "Espanha no coração"

 

 

    

     Em 1945 é eleito senador e obtém o Prémio Nacional de Literatura.

 

     Em 1950 publica "Canto Geral", em que sua poesia adopta intenção social, ética e política.

 

 

     Em 1952 publica «Os Versos do Capitão» e em 1954 «As uvas e o vento» e «Odes Elementares».

 

 

    

     Em 1953 constrói sua casa em Santiago apelidada "La Chascona" para se encontrar clandestinamente com sua amante Matilde, a quem havia dedicado a obra «Os Versos do Capitão». A casa foi uma de suas três casas no Chile, as outras estão em Isla Negra e Valparaíso. "La Chascona" é um museu com objectos de Neruda e pode ser visitada, em Santiago. Recebeu o Prémio Lenine da Paz.

 

 

     Em 1958 apareceu Estravagario com uma nova mudança em sua poesia.

 

     Em 1965 foi-lhe outorgado o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Oxford, Grã-Bretanha.

 

     Em Outubro de 1971 recebeu o Prémio Nobel de Literatura.

 

     Durante as eleições presidenciais do Chile nos anos 70, Neruda abriu mão de sua candidatura para que Salvador Allende vencesse, pois ambos eram marxistas e acreditavam numa América Latina mais justa que poderia ocorrer com o socialismo.

 

 

     Morreu em Santiago em 23 de Setembro de 1973, de cancro na próstata. Postumamente foram publicadas suas memórias em 1974, com o título "Confesso que vivi" .

 

     O enterro do poeta, no dia seguinte, é a primeira manifestação de mágoa, revolta, rebeldia contra o golpe. Pessoas de diferentes lugares e origens vão chegando à pracinha de Monte de S. Cristóvão. Elas choram, lançam flores e gritam em uníssono: “Pablo Neruda, presente, agora e sempre! Povo chileno, presente, agora e sempre! Allende, presente, agora e sempre! Pablo Neruda, presente, agora e sempre!”.

 

 

     Esse grito revela um raio de luz e de esperança de um povo que não vai ser pisado pelas botas da ditadura. O relato está no tempo presente: presente-mais-que-passado, presente-mais-que-futuro, pois a obra de Pablo Neruda está presente, o povo está presente. Presente no Canto geral de um poeta do povo que deixa por escrito um testamento poético  de luta por um futuro mais justo.
 
 

E a minha voz nascerá de novo,

talvez noutro tempo sem dores,

sem os fios impuros que emendaram

negras vegetações ao meu canto,

e nas alturas arderá de novo

o meu coração ardente e estrelado.

 

        Foi quando as mãos dos chilenos
        estenderam os dedos para a pampa,
        e com o coração em uníssono
        iria chegar a unidade das suas palavras:
        quando tu, povo, te preparavas para cantar
        uma velha canção onde se misturavam
        as lágrimas, a esperança e as dores:
        chegou a mão do verdugo
        e empapou de sangue a praça!
 
 
publicado por subterraneodaliberdade às 22:20
22 de Setembro de 2008

 
 
Fim do Verão
 

 

 
Ínicio do Outono
 
 
publicado por subterraneodaliberdade às 13:04
21 de Setembro de 2008

 
 
                         Não se cansa a natureza
                         em criar coisas em vão
                         Porque há tanto vinho e pão,
                         se faltam em tanta mesa?
                         Vivem uns de corpo erguido,
                         outros ao esforçado curvados.
                         Sonhos à razão negados,
                         à razão negais sentido.
                         Está errada a divisão
                         entre a fartura e riqueza
                         Não se cansa a natureza
                         em criar coisa em vão.
 
 
Armindo Rodrigues       
(1904-1993)               
em Breve Cancioneiro Devolvido   
  
  
 
publicado por subterraneodaliberdade às 23:10
20 de Setembro de 2008

 
 
     Para dar continuidade ao conjunto de post´s sobre Os Momentos de Vida e Luta do PCP, escrevo mais um post sobre Os Congressos do PCP.
 
     Para aceder aos post´s sobre Os Momentos de Vida e Luta do PCP, clicar na tag com o mesmo nome que está no fim de cada post ou na barra lateral.
 
     Não quero deixar de relembrar em cada post que:
 
     Estes 85 momentos da história do PCP são também momentos inseparáveis da luta dos trabalhadores e do Povo Português.
 
 
II Congresso
 
 
     Dando expressão às orientações traçadas pelo I Congresso, o PCP insiste na necessidade da unidade de acção dos trabalhadores face ao perigo fascista e, nesse sentido, procura estabelecer uma frente com a CGT. Contudo, as posições anticomunistas dos anarco-sindicalistas, ali dominantes, impedem a unidade - e continuarão a impedi-la à medida que o perigo fascista avança. Em 28 de Maio ocorre o golpe militar que instaura a ditadura.
     O II Congresso realiza-se em 29 e 30 de Maio de 1926, na Cooperativa Caixa Económica Operária, em Lisboa. Presentes 105 delegados representando 54 organizações (17 de Lisboa, 14 do Porto e 23 de diversos pontos do País); 3 federações (Lisboa, Porto e Beja), a Fracção Comunista Sindical e a Fracção do Socorro Vermelho Internacional. Em debate estão os Estatutos do Partido e o Relatório da Comissão Central. O Congresso aprova uma Moção apelando à unidade dos trabalhadores face à acção repressiva previsível.
    Com efeito, a ditadura desencadeia uma forte vaga repressiva contra os comunistas e as organizações e militantes democráticos e sindicais. Centenas de dirigentes operários e militantes comunistas são presos. Em 1927 a Sede do PCP é definitivamente encerrada.
    O Partido, sem quadros com a experiência e a preparação política e ideológica que a situação exigia - e, para além disso, afectado por traições e deserções - vive um período de grande desorientação e desorganização.
    A verdade é que a instauração da ditadura fascista colocara às forças políticas existentes desafios e exigências que punham à prova as suas concepções e tácticas, forçando-as a encontrar, nas novas condições, as novas armas e os novos caminhos para a luta revolucionária.
    A realidade viria a mostrar que apenas um partido se mostraria à altura desses desafios e exigências: o Partido Comunista Português.
 
Moção aprovada pelo: II Congresso do PCP:
 
   "O II Congresso Comunista Português reunido na sua sessão de encerramento, considerando:
    que o movimento insurrecional que a acaba de produzir-se em Portugal representa de facto o triunfo da reacção fascista;
    que para a sua eclosão e para a sua vitória contribuíram todos os partidos burgueses;
    que os intuitos que animam os novos assaltantes do poder se dirigem muito especialmente contra o proletariado, para salvar a situação difícil em que se debate o capitalismo;
    resolve:
    chamar a atenção dos trabalhadores e dos seus organismos a fim de se criar uma acção comum contra a atroz reacção que, sem dúvida, os novos governantes vão desencadear sobre o país e atingirá de preferência o operariado para entregá-lo manietado de pés e mão aos exploradores do seu esforço."
 
 
publicado por subterraneodaliberdade às 15:02
19 de Setembro de 2008

 
 
     "Envolvendo todo o Partido, do Comité Central às organizações de base, os congressos constituem uma exaltante afirmação do grande colectivo que é o PCP. Os congressos são o colectivo a pensar, a trabalhar, a realizar, a decidir, num entusiástico empenhamento conjunto que dá uma justa medida de como no PCP a orientação política, a intensa actividade, a unidade e a disciplina são inseparáveis da democracia interna."
 
"O Partido com paredes de vidro", de Álvaro Cunhal
publicado por subterraneodaliberdade às 21:56

 
 
                         Realizo-me no acto de pagar
                         as quotas do Partido.
                         Não tem nada de heróico.
                         Nada mais natural
                         como beijar o filho
                         na hora de deitar.
 
Mário Castrim     
(1920-2002)          
 
publicado por subterraneodaliberdade às 21:50
18 de Setembro de 2008

 
 
    Nos dias 24 e 25 de Novembro de 2007, o Partido Comunista Português realizou, no pavilhão municipal Torre da Marinha - Seixal, uma Conferência Nacional - Sobre Questões Económicas e Sociais, da qual, resultou uma resolução que contém um Texto-Base e Documentos Sectoriais.
 
   Pretendo, numa primeira fase, divulgar num conjunto de post´s, os Documentos Sectoriais que considero de extrema importância para a compreensão da situação económica e social do país e conhecer as propostas do PCP para um Outro Rumo - Nova Política ao Serviço do Povo e do País.
 
    Resolvi iniciar com o Sector Têxtil, Vestuário e Calçado porque é o sector industrial mais representativo do meu concelho (Barcelos).
   
    As enorme dificuldades que o Sector Têxtil enfrenta, actualmente, provocam: salários em atraso, a perda do emprego de milhares trabalhadores, e despedimentos colectivos sem o pagamento das respectivas indemnizações.
 
 
Indústria Têxtil, Vestuário e Calçado
 
 
    A indústria têxtil, vestuário e calçado (ITV) caracteriza-se pela totalidade de investimento privado, na grande maioria nacional. Nos últimos 15 anos assistimos à deslocalização da quase totalidade das multinacionais e de empresas nacionais que deslocalizam a sua produção para outras zonas em particular norte de África e Ásia, deixando atrás de si um rasto de milhares de desempregados e projectos de vida destruídos. De 1990 a 2004 as empresas com mais 500 trabalhadores passam de 127 para 29 unidades. Em 2004 estavam registadas cerca de 8.000 empresas a generalidade das quais pequenas e médias (80% das empresas têm menos de 50 trabalhadores e 70% menos de 9 trabalhadores), muitas em regime de subcontratação.
 
   No sector predominam os baixos salários, onde uma grande maioria dos trabalhadores aufere pouco acima do SMN. Situação que afecta em particular as mulheres, em larga maioria no conjunto dos trabalhadores.
 
   Em 2003, o sector representava 16,3% das exportações portuguesas (28,4 em 1993), 7,3% das importações (9,8 em 1993), 26,7% do emprego (28,5 em 1994), 12% do volume negócios (15,4% em 1994) da indústria transformadora.
 
   Em 2005, as exportações em valor foram 4,1 mil milhões (5 mil em 2001), em 2006 manteve o mesmo valor. As importações em 2005 e 2006 foram 3 mil milhões, o que traduz um importante saldo positivo. O volume de negócios em 2006 foi de 6,2 mil milhões e a produção total de 5,8  mil milhões, o que torna clara a sua vocação exportadora.
 
   Em 2005, as exportações em valor foram 85% para UE a 25 e 15% para outros mercados; em 2006, 84% para UE a 25 e 16% para outros mercados. Os nossos principais mercados em 2006, são por ordem decrescente: Espanha 24%; Reino Unido 12%; França 12%; Alemanha 10%; EUA 6% e Itália 5%. Em relação às exportações o ano de 2007 está a ser globalmente positivo entre Janeiro e Julho teve um crescimento de 4,1% quando comparado com igual período de 2006.
 
Trabalhadores
 
   A ITV perdeu, na última década, cerca de 100 mil postos de trabalho, constituindo a principal causa de desemprego, em particular nas Zonas Norte, Centro e Beira Interior, apesar disso, continua a ter um peso decisivo no emprego. Na distribuição do emprego e das empresas, estes sectores são ainda determinantes em Braga e Porto, têm uma razoável presença em Aveiro e os lanifícios estão hoje, essencialmente, concentrados em Castelo Branco e na Guarda.
 
   Em 2004, estavam registados 212.552 trabalhadores (onde 45% tem apenas o 1º ciclo de escolaridade e onde as mulheres sendo a maioria não o são nos níveis de qualificação mais elevados). A análise do emprego por níveis etários desde 1990 permite analisar dois aspectos: desapareceram nas empresas legais trabalhadores com menos de 15 anos (o que corresponde a um avanço no combate ao trabalho infantil) e verifica-se  um envelhecimento dos trabalhadores; por um lado, as novas admissões são reduzidas, por outro, os baixos salários e a pouca valorização profissional na maioria das empresas, reduz a sua capacidade de atracção para os jovens com níveis de escolaridade mais elevada.
 
   A taxa de crescimento médio anual da produtividade por trabalhador entre 1994 e 2004, foi de 4,4%, valor superior ao crescimento verificado na média da indústria transformadora. A produtividade por trabalhador cresceu mais de 40% nos últimos 10 anos e analisando o crescimento dos salários reais  contratuais em igual período (vestuário 6% e têxtil 4,4%), concluímos que não se estabeleceu nenhuma relação entre produtividade e salários contratuais e aprofundou-se o desiquilibrio na distribuição da riqueza produzida.
 
Estrutura Empresarial
 
  Com a alteração verificada no plano da estrutura empresarial as micro e pequenas empresas no seu conjunto constituem em si mesmas as principais empresas no sector, em alguns casos, empresas de alto investimento tecnológico apostadas na dinamização de novo produtos que vão ganhando espaço e importância no plano da economia do sector. No entanto, ainda existem a laborar grandes empresas com milhares de trabalhadores e elevado volume de negócios.
 
  Com uma estrutura empresarial sustentada em cerca de 80% nas micro e pequenas empresas, muitas delas em regime de subcontratação e em muitos casos dependentes de clientes únicos, como é o caso de centenas de empresas do norte do país que trabalham, praticamente, em exclusividade para grandes grupos espanhóis, uma alteração de estratégia destes grupos traria profundos problemas a estas empresas e trabalhadores. Por outro lado, pelo peso que o sector tem nas exportações, variações ou crises nos mercados, tem consequências directas em todo o sector.
 
Principais Políticas para o Sector desde Adesão à UE
 
  No início dos anos 90, portugal benefícia uma conjuntura externa favorável e de um acréscimo dos fundos estruturais e de outros apoios comunitários. A ausência de uma estratégia que no quadro da adesão à CEE em 1986, desenvolvimento do Mercado Único Europeu e do Multifibras (com fim à vista), levou a que não se tivesse rompido com o "modelo" de mão-de-obra barata e reduzido valor acrescentado. Pelo contrário, consolidou-se esse modelo, com o empolamento dos subsectores das malhas e vestuário e definhamento da fiação e tecelagem.
 
  A tendência para resolver os problemas estruturais existentes nestes subsectores de capital intensivo pelo recurso à expansão dos subsectores de mão-de-obra intensiva, significou andar em sentido contrário ao necessário, à necessidade de modernização e reestruturação da indústria têxtil.
 
  Os Governos subestimaram a adesão da China à OMC em 2000, com a não tomada de medidas na UE e em Portugal no período que decorreu desde essa a data até 2005 que minimizassem os previsíveis impactos que vieram a verificar-se.
 
   A criação do Mercado Único e o fim das barreiras aduaneiras facilitou a deslocalização de unidades multinacionais para Portugal e o forte crescimento da subcontratação, muitas vezes, apoiada nos incentivos comunitários consolidando o referido "modelo" e agudizando os desequilibrios na cadeia vertical de produção. 
 
A Política de Sucessivos Governos
 
  Caracterizou-se por:
 
  Ausência de iniciativa junto daUE para o desencadeamento das Clausulas da Salvaguarda a partir de meados de 2004, passividade que se manteve em 2005, e que teve como desfecho os péssimos acordos de UE com a China em Junho e Setembro de 2005;
 
  Não tomada de medidas para defender o mercado nacional e a competitividade das empresas portuguesas nos planos interno e externo, face à valorização do euro, aos elevados custos da energia, telecomunicações, transportes e serviços financeiros manifestamente mais elevados do que os da generalidade dos nossos concorrentes;
 
  Falta de uma adequada política de fundo para o sector acrescida por uma desastrosa subserviência para com a política de comércio externo da UE (no GATT/OMC e em acordos bilaterais), abdicando de uma política comercial externa própria, de medidas de defesa mercado nacional e alargar o mercado externo (plataforma logística e transportes, apoio e suporte de uma agressiva promoção da produção nacional);
 
  Inaceitáveis políticas num conjunto de áreas e sectores que, obrigatóriamente, enquadram a indústria têxtil (e outras indústrias): I&D, Formação Profissional, Energia e Ambiente, Crédito e Seguros, Comunicações e Transportes, políticas fiscais e de aplicação dos fundos comunitários (QCA);
 
  A cumplicidade activa de sucessivos Governos com a política de mão-de-obra barata e más condições laborais, foi a outra face da moeda da ausência de política activa de enquadramento de crescimento da produtividade.
 
Orientações do PCP para o Sector
 
   Rompimento com o "modelo" baseado nos baixos salários, baixas qualificações e precariedade no emprego;
 
   Aumento dos níveis de escolaridade e qualificações dos trabalhadores numa lógica de dupla certificação;
 
 
   Uma rede de segurança social reforçada, que possa responder à acumulação de problemas e à amplitude das dificuldades das famílias atingidas pelo desemprego;
 
   Avaliação das áreas territoriais e subsectores em risco iminente ou potencial, de encerramento e desemprego em massa, para que possam ser accionadas medidas preventivas e deferenciadas;
 
  Políticas e acordos com fornecedores de bens e serviços que permitam reduzir a factura energética, de comunicações e transportes;
 
  Apoios oficiais vocacionadas para as empresas que existam e não para as empresas que deviam existir mas não existem;
 
  Adequar os meios e modos de financiamento bancário dos projectos e de apoio financeiro, tendo presente que as micro, pequenas e médias empresas têxteis estão descapitalizadas e com desiquilibrios estruturais;
 
  A defesa do mercado nacional através da fiscalização e outra medidas, velando para que todos cumpram os normativos legais, na actividade produtiva e comercial, combater as deslocalizações e favorecer a penetração exterior das exportações portuguesas, através de acções permanentes e sistematizadas;
 
  Instalação de Observatório Têxtil articulado com as associações do sector e que deverá ter antenas nas regiões críticas;
 
   O desenvolvimento de estudos, projectos e investimentos que possam concretizar a implantação de outros sectores indústriais, como os que vêm sendo seriados, nas fileiras automóvel, da saúde, energética, turística e outras, que permitam a necessária diversificação industrial em regiões de elevada concentração têxtil.
                    

 

publicado por subterraneodaliberdade às 23:30
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16 de Setembro de 2008

 
 
                         Ver num grão de areia um mundo
                          numa flor o céu profundo;
                          ter na mão a infinidade,
                          num minuto a eternidade...
 
                          O morcego volita
                          pela noite, esse acredita;
                          mas a coruja que grita
                          porque não crê anda aflita...
 
                          Olha a dor: é um tecido
                          com a alegria: um vestido
                          para a alma. Sob a dor
                          sempre a alegria anda à flor...
 
                          Cada lágrima chorada
                          torna-se em criança alada...
 
                          Balir, uivar - que sei eu?
                          ondas a bater no céu...
 
                          Quem duvida do que vê,
                          Por mais que faça, não crê.
                          Olha o sol, se duvidava:
                          Logo, logo se apagava...
 
                          Deus é clarão na amargura
                          das almas da noite escura;
                          veste o manto de Jesus
                          para as que vivem à luz.
 
                                  Trad.: Luiz Cardim           
 
William Blake       
(1757-1827)            
publicado por subterraneodaliberdade às 12:38
15 de Setembro de 2008

 
 
                         Não fora o grito a faca
                         de súbito rasgando
                         a fronteira possível
                         Não fora o rosto o riso
                         a serena postura
                         do cadáver na praia
 
                         Não fora a flor a pétala
                         recortada em vermelho
                         o longínquo pregão
                         o retrato esquecido
                         o aroma da pólvora
                         a grade na janela
 
                         Não fora o cais a posse
                         do nocturno segredo
                         a víbora o polícia
                         o tiro o passaporte
                         a carta de Paris
                         a saudade da amante
 
                         Não fora o dente agudo
                         de nenhum crocodilo
 
                         Não fora o mar tão perto
                         Não fora haver traição.
 
 
Daniel Filipe    
 
 
publicado por subterraneodaliberdade às 13:31
14 de Setembro de 2008

 

 
     Momentos de Vida e Luta do PCP irá ser um conjunto de post's, em que irei fazer referência aos momentos mais importantes da vida do meu Partido.
    
     Faço referência para dois factos: estes post´s vão ser baseados num livro "85 Momentos da Vida e Luta do PCP", editado pelas Edições Avante!, aquando dos 85 anos do PCP e os post´s vão ser colocados por uma ordem, mais ou menos, aleatória, daí o motivo de eu não iniciar com a Fundação do PCP, o primeiro e mais importante momento do Partido.
 
     No entanto, nesta primeira fase irei dar primazia aos Congressos do PCP devido à proximidade da realização do XVIII Congresso do PCP.
 
     O objectivo deste conjunto de post´s (85) é contribuir para o esclarecimento e informação da actividade do PCP e do papel importante que desempenha na sociedade portuguesa e no mundo. 
 
     Sugiro a todos os militantes, amigos do PCP, assim como a todas as pessoas que se interessam pela história do mais antigo Partido Português: O Partido Comunista Português! a aquisição do livro acima referido pois este não é substituível pelos post´s.
 
     Saliento, também, conforme está escrito na capa de trás do livro:
 
     Estes 85 momentos da história do PCP são também momentos inseparáveis da luta dos trabalhadores e do Povo Português.
      (...)
 
 
I Congresso do PCP
 
     Em 10 e 11 de Novembro de 1923, realizou-se o I Congresso do Partido, cujas sessões tiveram lugar no Centro Socialista Português e no Sindicato do Pessoal da Marinha e Cordoaria Nacional, em Lisboa.
 
     Os 118 delegados, representando 33 organizações partidárias ("comunas") de Lisboa, Porto, Coimbra, Évora, São Manços, Beja, Tomar, Torres Novas,  Amadora e Barcarena, discutiram e aprovaram as Teses, que tinham sido previamente publicadas no jornal O Comunista e submetidas a debate nas respectivas organizações.
 
     Para além dos Estatutos, de uma Resolução sobre a Organização do Partido e do Programa de Acção, o Congresso aprovou ainda uma Resolução sobre a Questão Agrária. Esta, longamente debatida, avançou como objectivo, em matéria de propriedade agrícola, que " o camponês detenha a terra que possa fazer frutificar com o seu braço". O Congresso aprovou também uma moção sobre as condições de trabalho dos operários agrícolas: "Estando em vigor actualmente a lei das 8 horas de trabalho para a classe operária e sendo os trabalhadores rurais também assalariados, propomos que se reclame desde já ao governo burguês o cumprimento dessa lei para os rurais."
 
     Os delegados debateram igualmente a repressão desencadeada pelo governo republicano contra os militantes operários e sindicais e manifestaram a sua solidariedade aos militantes comunistas e sindicais presos, muitos dos quais enviaram saudações ao Congresso.
 
     O perigo do fascismo e a análise das suas causas foi outro tema abordado pelo I Congresso - e foi apontada, como condição indispensável para lhe fazer frente com êxito, a necessidade da unidade da classe operária.
 
Extractos do "Programa de Acção do PCP"
 
     "[...] o proletariado deve, na sua multiplicação reconstrutiva e demolidora, combater a burguesia nas suas próprias instituições de classe, políticas e económicas. Por isso, preconiza a acção parlamentar, não como uma acção primordial e essencial, mas como uma acção conveniente para o exercício permanente da crítica e do combate à organização social de hoje e ainda como um meio de propaganda e difusão das ideias comunistas."
 
     "Sendo o PC de opinião que é preciso conquistar a mulher para a causa da Emancipação Humana, empregará todos os esforços para criar uma organização comunista feminina, defendendo desde já o princípio da igualdade dos salários para os dois sexos, na mesma espécie de trabalho, o direito de participação das mulheres no combate pelas reivindicações políticas e económicas dos trabalhadores e a unificação dessa reivindicação para os dois sexos."
 
    
 

 

publicado por subterraneodaliberdade às 20:48
13 de Setembro de 2008

 
 
 
 
      Lutando nem sempre se ganha. Sem lutar; perde-se sempre.
 
       É alicerçado nesta certeza inabalável que o PCP lançou na Festa do Avante! mais uma campanha de esclarecimento e luta, que termina no fim de Outubro, contra: o código de trabalho; ataque dos serviços públicos e desigualdades sociais.
 
 
 
Não ao Código do Trabalho 
Combate à Precariedade
Melhores Salários
 
 
»» Mais de meio milhão de desempregados
»» Cerca de 230 mil jovens inscritos nos centros de emprego
»» Mais de 1 milhão e 200 mil trabalhadores com vinculo precário 
 
 
     Esta é a realidade dramática que tem sido disfarçada pelos milhares de trabalhadores obrigados a emigrar, pelos que desistiram da sua inscrição nos centros de emprego, ou pelos, que saltando de formação em formação, não fazem parte das estatísticas do desemprego.
 
      A precariedade também alastra, entre recibos verdes, contratos a prazo, trabalho temporário, ou trabalho ilegal, um em cada três trabalhadores têm vínculo precário.
 
      Um governo que insensível às dificuldades em que se encontram milhões de portugueses, vem vangloriar-se de ter conseguido reduzir o défice público, obtido à custa dos cortes nas pensões de reforma, no subsídio de desemprego e de outras prestações sociais.
 
     Esta realidade demonstra a política anti-social do Governo do PS, a falência da sua política económica e as mentiras sobre a criação de empregos.
         
 
Código do Trabalho
Basta de Exploração!
 
 
     O Governo PS, associado às confederações patronais e com o apoio da UGT, procura impor a alteração para pior do Código do Trabalho em articulação com a alteração da legislação laboral da Administração Pública.
 
     Quer facilitar os despedimentos tornando-os mais fáceis, rápidos e baratos.
 
     Pretende desregulamentar os horários de trabalho, com consequências graves para a organização da vida pessoal e familiar dos trabalhadores podendo ir às 10 horas diárias e às 50 horas semanais.
 
     Visa reduzir os salários e as remunerações, levando, na articulação entre o fim do pagamento de horas extraordinárias, redução de subsídios e outros mecanismos, corte de muitas dezenas, por vezes mais de cem euros mensais.
 
     Preconiza subverter o direito do trabalho consagrando a eliminação do princípio do tratamento mais favorável ao trabalhador, isto é, em vez de estabelecer a garantia de um mínimo de direitos, admite a possibilidade de estabelecerem normas inferiores à lei.
 
     Ambiciona destruir a contratação colectiva eliminando direitos fundamentais dos trabalhadores que esta consagra.
 
     Invocando o pretexto de a combater aponta medidas para na prática legalizar a precariedade.
 
     Ataca a liberdade de organização e acção sindical.
 
     O governo e o primeiro-ministro mentem quando negam estas acusações. Atacam o PCP por desmascarar os seus objectivos. Mas a realidade é o que é. Para este Governo, o agravamento da exploração não tem limite.
     Só a organização, unidade e luta dos trabalhadores e do povo lhe pode fazer frente.

 

 

 

O Código do Trabalho

Pela boca do Grande Patronato

 

 

     O Código do Trabalho vai "legalizar a precariedade (...) no fundo é para acabar com o conceito das horas extraordinárias, trabalhar mais duas horas por dia passa a ser regular."

 

Francisco Van Zeller, Presidente da CIP

 
 
Ataque aos Serviços Públicos
Piores Condições de Vida
 
 
     O Governo PS insiste na liberalização e privatização de serviços públicos, no encerramento de escolas e serviços de saúde, no ataque aos direitos dos trabalhadores da administração pública.
 
Os resultados desta política estão à vista:
 
»» Perdem as populações e os trabalhadores com serviços mais caros, mais distantes e de pior qualidade.
»» Ganham os grupos económicos que vêem aumentar os seus lucros.
 
 
Portugal Campeão das Desiguladades
 
 
     Sobem os preços, diminuem os salários e as reformas
 
     Nos últimos três anos os preços dos bens de primeira necessida - pão, leite, carne, legumes - e serviços essenciais não pararam de subir com aumentos de 16,2% na educação, 12,8% nos transportes, 11,9% na habitação, luz e àgua e 9,4% na saúde, isto a par, da galopante subida das taxas de juro que colocou mais de um milhão de portugueses com empréstimos à habitação com a "corda na garganta".
 
     Mas se os preços sobem, os salários e as reformas continuam a diminuir em termos reais.
 
     São as baixas reformas e os baixos salários que levam a que existam 2 milhões de pobres, dos quais 40% são trabalhadores no activo.
 
     A crise não é para todos
 
     Enquanto aos trabalhadores são pedidos sacrifícios:
 
»» 20% da riqueza criada no país (32 mil milhoes de euros), está nas mãos das 100 maiores fortunas.
»» A riqueza da familia mais rica, familia Amorim, com 3.421 milhões de euros no final de 2007, corresponde ao salário (médio) anual líquido de 337 mil trabalhadores.
 
     Esta concentração da riqueza, num momento tão difícil para os trabalhadores e povo português é em si uma forte acusação à política de injustiça social que o Governo PS quer continuar.
 
 
É TEMPO DE LUTAR
 
 
     O país precisa de melhores salários, defesa do aparelho produtivo e da soberania nacional, combate à precariedade, emprego com direitos, melhores serviços públicos, uma mais justa distribuição da riqueza nacional.
 
Dar mais força ao PCP, apoiar o PCP, é garantir um outro rumo, uma nova política ao serviço do povo e do país.
 
O conteúdo de Post é, praticamento, retirado do documento da campanha do PCP para entrega à população. 

 

 

artigo relacionado: http://subterraneodaliberdade.blogs.sapo.pt/2008/05/

 

 

 

publicado por subterraneodaliberdade às 20:02
tags:
12 de Setembro de 2008

 
 
               Este é o local, o dia, o mês, a hora.
               O jornal ilustrado aberto em vão.
               No flanco esquerdo, o medo é uma espora
               fincada, firme, imperiosa. Não
               espero mais. Porquê esta demora?
               Porquê temores, suores? Que vultos são
               aqueles, além? Quem vive ali? Quem mora
               nesta casa sombria? Onde estão
               os olhos que espiavam ainda agora?
               O medo, a espora, o ansiado coração,
               a noite, a longa noite sedutora,
               o conchego do amor, a tua mão...
 
               Era o local, o dia, o mês, a hora.
               Cerraram sobre ti os muros da prisão.
 
                           Daniel Filipe
 
 
                   
publicado por subterraneodaliberdade às 20:20

 
 
                         Homem,
                         abre os olhos e verás
                         em cada outro homem um irmão.
 
                         Homem,
                         as paixões que te consomem
                         não são boas nem más.
                         São a tua condição.
 
                         A paz,
                         porém, só a terás
                         quando o pão que os outros comem,
                         homem,
                         for igual ao teu pão
 
 
                               Armindo Rodrigues
 
 
publicado por subterraneodaliberdade às 20:07
11 de Setembro de 2008

 

        Paulo Pedroso regressou à vida política, e logo com um discurso inesperado.

        Paulo Pedroso defendeu que o país só é governável com uma maioria absoluta, e caso esta não exista o PS não deve pôr de parte uma coligação com PSD.

 

          Este discurso não é inesperado por se achar um absurdo a possibilidade da formação de um bloco central (PS/PSD), visto que as suas políticas são, em tudo, iguais. É inesperado pela sua imprudência porque pode deitar pela àgua abaixo todo o trabalho de confundir o eleitorado de esquerda feito pelo Mário Soares e Manuel Alegre.

 

          O PCP tem razão quando afirma: o PSD não é uma alternativa às políticas do PS, é uma alternância de poder.

 

 

vídeo das declarações

  

http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=362586&tema=28

 

publicado por subterraneodaliberdade às 19:34

 

Haja seriedade intelectual.
Ora digam lá: Cunhal tinha razão!

 

 

 

 

publicado por subterraneodaliberdade às 00:04
10 de Setembro de 2008

 

 

          O imperialismo, cujo a natureza não é reformável, nem está posto em causa por estas eleições para a Casa Branca, carece urgentemente dum branqueamento e relançamento de imagem. "É preciso que tudo mude para que tudo fique na mesma"....
 
                                Carlos Gonçalves
                                  in Jornal Avante!

 

publicado por subterraneodaliberdade às 22:55

 

 

          Ouvi falar que existe 15 razões para despedir um funcionário público.
 
       Mas com este governo socialista e a sua política contra os direitos dos trabalhadores, se os funcionários públicos não lutarem contra a ofensiva de que estão a ser alvo, as 15 razões podem ser reduzidas a 2: por tudo e por nada.
 
       
publicado por subterraneodaliberdade às 13:41
09 de Setembro de 2008

 

 

 

 

 

          No passado dia 7 de Setembro, os EUA nacionalizou duas empresas de crédito hipotécário (Fannie Mae e Freddie Mac), estas empresas tornaram-se insolventes após as respectivas privatizações e o colapso do sistema financeiro americano.
         
          Com estas duas nacionalizações, muito provavelmente, os contribuintes irão suportar os prejuizos fruto da má gestão e especulação.
 
          Com todo este processo podemos, no mínimo, concluir que o projecto neoliberal alicerçado no mundo financeiro especulativo está a ruir aos poucos.

 

publicado por subterraneodaliberdade às 22:46
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