22 de Junho de 2011

 

 

As crises e a União Europeia

 

Estamos em vésperas de mais um Conselho Europeu, o último durante a Presidência que a Hungria assumiu, nessa partilha com um presidente criado pelo tratado de Lisboa, mas de que raramente se ouve falar. Quem conhece o belga Van Rumpoy, além dos próprios belgas? Cada vez mais, quem fala em nome da União Europeia é Angela Merkel, a chanceler da Alemanha, seja porque os jornalistas já não reconhecem outro líder de facto, seja porque os líderes institucionais (Presidente do Conselho e Presidente da Comissão Europeia) não se assumem como tal, revelando a sua fraqueza e, certamente, o receio de perderem o lugar por, eventualmente, desagradarem à senhora Merkel e aos grupos económicos e financeiros que representa.

Este é um semestre que não deixa saudades. Em diferentes países viveram-se crises políticas sérias. E são crises que persistem. Mesmo que pareçam adormecidas, nalguns casos apenas se arrastam sem fim à vista e, noutros, trabalhadores e populações prosseguem em lutas que são pouco divulgadas. Só as instituições europeias parecem continuar cegas e surdas perante o agravamento de situações que já não se curam com os paliativos do costume. Mais cedo do que tarde, impõe-se ir ao fundo das questões, analisar as suas causas mais profundas e alterar as políticas que lhe estão na origem.

 

 

 

Fonte: Jornal "Avante!"

publicado por subterraneodaliberdade às 13:55

 

 

O "bom aluno"

 

Nas comemorações do 10 de Junho, o Presidente da República, Cavaco Silva, decidiu promover a «aposta na agricultura», afirmando as suas preocupações com o «défice alimentar» português e propondo «um programa de repovoamento agrário do interior, criando oportunidades de sucesso para jovens agricultores».

Acontece que, há 20 anos, o professor Cavaco era o primeiro-ministro de Portugal com maioria absoluta, mas nessa altura as suas preocupações não se prendiam com défices alimentares ou sucessos de agricultores, jovens ou velhos: o seu empenho centrava-se no cumprimento escrupuloso dos ditames de Bruxelas, que ordenavam precisamente o contrário - o desinvestimento na produção agrícola nacional. E não se pense que a prestimosa CEE nos ia apenas às couves e aos nabos: o ataque era de raiz, por assim dizer, e praticou o abate sistemático de culturas inteiras e seculares, como as da vinha e as do olival.

Os 220 mil agricultores que, hoje, continuam a receber subsídios da União Europeia para não produzir já vêm desse tempo, quando o dinheiro vinha às carradas a «subsidiar» o desmantelamento programado da agricultura portuguesa – naturalmente para garantir a produção das potências agrícolas da União, nomeadamente  a França e a Alemanha.

 

  

Fonte: Jornal "Avante!"

publicado por subterraneodaliberdade às 13:55
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