10 de Julho de 2011

 

II Congresso
 
Dando expressão às orientações traçadas pelo I Congresso, o PCP insiste na necessidade da unidade de acção dos trabalhadores face ao perigo fascista e, nesse sentido, procura estabelecer uma frente com a CGT. Contudo, as posições anticomunistas dos anarco-sindicalistas, ali dominantes, impedem a unidade - e continuarão a impedi-la à medida que o perigo fascista avança. Em 28 de Maio ocorre o golpe militar que instaura a ditadura.
O II Congresso realiza-se em 29 e 30 de Maio de 1926, na Cooperativa Caixa Económica Operária, em Lisboa. Presentes 105 delegados representando 54 organizações (17 de Lisboa, 14 do Porto e 23 de diversos pontos do País); 3 federações (Lisboa, Porto e Beja), a Fracção Comunista Sindical e a Fracção do Socorro Vermelho Internacional. Em debate estão os Estatutos do Partido e o Relatório da Comissão Central. O Congresso aprova uma Moção apelando à unidade dos trabalhadores face à acção repressiva previsível.
Com efeito, a ditadura desencadeia uma forte vaga repressiva contra os comunistas e as organizações e militantes democráticos e sindicais. Centenas de dirigentes operários e militantes comunistas são presos. Em 1927 a Sede do PCP é definitivamente encerrada.
O Partido, sem quadros com a experiência e a preparação política e ideológica que a situação exigia - e, para além disso, afectado por traições e deserções - vive um período de grande desorientação e desorganização.
A verdade é que a instauração da ditadura fascista colocara às forças políticas existentes desafios e exigências que punham à prova as suas concepções e tácticas, forçando-as a encontrar, nas novas condições, as novas armas e os novos caminhos para a luta revolucionária.
A realidade viria a mostrar que apenas um partido se mostraria à altura desses desafios e exigências: o Partido Comunista Português.
 
Moção aprovada pelo: II Congresso do PCP:
 
 "O II Congresso Comunista Português reunido na sua sessão de encerramento, considerando:
    que o movimento insurrecional que a acaba de produzir-se em Portugal representa de facto o triunfo da reacção fascista;
    que para a sua eclosão e para a sua vitória contribuíram todos os partidos burgueses;
    que os intuitos que animam os novos assaltantes do poder se dirigem muito especialmente contra o proletariado, para salvar a situação difícil em que se debate o capitalismo;
 
resolve:
    chamar a atenção dos trabalhadores e dos seus organismos a fim de se criar uma acção comum contra a atroz reacção que, sem dúvida, os novos governantes vão desencadear sobre o país e atingirá de preferência o operariado para entregá-lo manietado de pés e mão aos exploradores do seu esforço."
 
Estes momentos da história do PCP são também momentos inseparáveis da luta dos trabalhadores e do Povo Português.
 

Fonte: 85 Momentos de vida e luta do PCP - Edições Avante!

publicado por subterraneodaliberdade às 15:35
03 de Julho de 2011

 

 

 

I Congresso do PCP

 

Em 10 e 11 de Novembro de 1923, realizou-se o I Congresso do Partido, cujas sessões tiveram lugar no Centro Socialista Português e no Sindicato do Pessoal da Marinha e Cordoaria Nacional, em Lisboa.

Os 118 delegados, representando 33 organizações partidárias ("comunas") de Lisboa, Porto, Coimbra, Évora, São Manços, Beja, Tomar, Torres Novas,  Amadora e Barcarena, discutiram e aprovaram as Teses, que tinham sido previamente publicadas no jornal O Comunista e submetidas a debate nas respectivas organizações.

Para além dos Estatutos, de uma Resolução sobre a Organização do Partido e do Programa de Acção, o Congresso aprovou ainda uma Resolução sobre a Questão Agrária. Esta, longamente debatida, avançou como objectivo, em matéria de propriedade agrícola, que " o camponês detenha a terra que possa fazer frutificar com o seu braço". O Congresso aprovou também uma moção sobre as condições de trabalho dos operários agrícolas: "Estando em vigor actualmente a lei das 8 horas de trabalho para a classe operária e sendo os trabalhadores rurais também assalariados, propomos que se reclame desde já ao governo burguês o cumprimento dessa lei para os rurais."
Os delegados debateram igualmente a repressão desencadeada pelo governo republicano contra os militantes operários e sindicais e manifestaram a sua solidariedade aos militantes comunistas e sindicais presos, muitos dos quais enviaram saudações ao Congresso.
O perigo do fascismo e a análise das suas causas foi outro tema abordado pelo I Congresso - e foi apontada, como condição indispensável para lhe fazer frente com êxito, a necessidade da unidade da classe operária.
 
Extractos do "Programa de Acção do PCP"
 
"[...] o proletariado deve, na sua multiplicação reconstrutiva e demolidora, combater a burguesia nas suas próprias instituições de classe, políticas e económicas. Por isso, preconiza a acção parlamentar, não como uma acção primordial e essencial, mas como uma acção conveniente para o exercício permanente da crítica e do combate à organização social de hoje e ainda como um meio de propaganda e difusão das ideias comunistas."
"Sendo o PC de opinião que é preciso conquistar a mulher para a causa da Emancipação Humana, empregará todos os esforços para criar uma organização comunista feminina, defendendo desde já o princípio da igualdade dos salários para os dois sexos, na mesma espécie de trabalho, o direito de participação das mulheres no combate pelas reivindicações políticas e económicas dos trabalhadores e a unificação dessa reivindicação para os dois sexos."
 
Estes momentos da história do PCP são também momentos inseparáveis da luta dos trabalhadores e do Povo Português.
 
Fonte: 85 Momentos de Luta e Vida do PCP
publicado por subterraneodaliberdade às 15:27
26 de Junho de 2011

 

 

Os primeiros comunistas presos

 

Ao longo dos quase cinquenta anos de ditadura, os comunistas foram o alvo preferencial do fascismo. A imensa maioria dos presos que, durante quase meio século, encheram as cadeias fascista era composto por militantes do PCP - o único partido que ousou fazer frente à ditadura, o grande partido da resistência antifascista.

Bem cedo se iniciou a perseguição e prisão de militantes comunistas, ainda na 1ª República. E, na repressão aos movimentos grevistas de protesto operário e às iniciativas de carácter progressista, antes mesmo do golpe de 28 de Maio de 1926, já os militantes comunistas eram o principal alvo das forças repressivas dos vários governos repúblicanos.

O registo das primeiras prisões de membros do PCP remonta o dia 1 de Setembro de 1921. Nesse dia, as Juventudes Comunistas promoveram uma campanha de agitação, com afixação de cartazes nas ruas e nas fábricas de Lisboa, comemorando o Dia Mundial da Juventude Comunista. São presos 12 jovens - Armando dos Santos, Guilherme de Castro, Joaquim José Godinho, Armando Ramos, Sebastião Lourenço, Manuel da Silva Costa, Jorge da Silva Pinheiro, Joaquim Rodrigues, José Madeira Rodrigues, Manuel Francisco Roque Júnior, Matias José Sequeira e José de Sousa (Coelho). Primeiro enviados para a Cadeia do Limoeiro, são depois transferidos para o Forte São Julião da Barra, donde serão libertados na sequênica da insurreição militar de 19 de Outubro desse ano.

 

Estes momentos da história do PCP são também momentos inseparáveis da luta dos trabalhadores e do Povo Português.

 

Fonte: 85 Momentos de Vida e Luta do PCP - Edições "Avante!"

publicado por subterraneodaliberdade às 16:27
18 de Junho de 2011

 

Nº1 de O Comunista e de O Jovem Comunista

 

Em fins de 1921, numa reunião conjunta do Partido e da Juventude, é decidida a ciração dos primeiros órgãos de informação comunistas:  o jornal O Comunista, órgão do Partido Comunista Português, e O Jovem Comunista, órgão nacional das Juventudes Comunistas Portuguesas, que iniciam a sua publicação ainda no decorrer desse ano de 1921. Os dois jornais dão um contributo importante na batalha que o Partido trava no sentido da mobilização da classe operária para, em torno de um objectivo político consequentemente revolucionário - e dando combate aos efeitos negativos do oportunismo anarco-sindicalismo que domina o movimento operário português -, assumir o seu papel de vanguarda na luta contra a política praticada pelos sucessivos governos que, dominados pelos partidos da burguesia e outras forças reaccionárias, desenvolvem uma repressão brutal sobre os trabalhadores.

 

 

Estes momentos da história do PCP são também momentos inseparáveis da luta dos trabalhadores e do Povo Português (...).

 

 

Fonte: 85 Momentos de vida e luta do PCP - Edições Avante!

publicado por subterraneodaliberdade às 12:25
11 de Junho de 2011

 

 

 Fundação do PCP

 

A fundação do PCP ocorreu a 6 Março de 1921, em Lisboa, na sede da Associação dos Empregados de Escritório. Tendo como referências essenciais as lições das grandes lutas e vitórias da classe operária internacional e do desenvolvimento histórico do movimento operário português - e sob o impulso da criação do partido bolchevique, da Revolução de Outubro e dos ensinamentos da Marx, Engels e Lenine -, o PCP nasce num clima marcado por grandes lutas de classe, travadas pelos trabalhadores portugueses. No Manifesto em que faz a sua apresentação pública, o Partido, através da publicação dos 21 pontos da Internacional Comunista, afirma a sua adesão ao Movimento Comunista Internacional.

Logo a seguir é criada a organização das Juventudes Comunistas.

A primeira sede do Partido é na Rua do Arco do Marquês do Alegrete e, em pouco tempo, o números de filiados comunistas atinge o milhar.

O Partido define, como frente de acção prioritária dos seus militantes, a intervenção nas organizações sindicais com o objectivo de dar uma justa orientação à luta dos trabalhadores e visando a adesão do movimento sindical à Internacional Sindical Vermelha.

Com a fundação do PCP a classe operária portuguesa encontra a sua firme e segura vanguarda.

 

Estes momentos da história do PCP são também momentos inseparáveis da luta dos trabalhadores e do Povo Português (...).

 

 

Fonte: 85 Momentos da vida e luta do PCP - Edições Avante!

publicado por subterraneodaliberdade às 18:48
02 de Janeiro de 2009

 

Militão Ribeiro

 

   Nascido em Murça, Trás-os-Montes, emigrou para o Brasil com 13 anos de idade, vindo a ser expulso, mais tarde, devido à sua actividade militante no Partido Comunista Brasileiro. Regressado a Portugal, retomou a sua actividade revolucionária como membro do Partido Comunista Português. Participou na reorganização de 40-41, começando, então, a fazer parte do Secretariado do Partido.

   Foi preso, pela quarta vez, em 1949 e encerrado na Penitenciária de Lisboa - antes estivera em Angra do Heroismo e duas vezes no Tarrafal. Escreve José Dias Coelho: "Até às vésperas da morte, Militão Ribeiro manteve a preocupação de comunicar com o Partido a sua fidelidade e confiança. Escreveu várias cartas à Direcção do Partido, que foram interceptadas pelos carcereiros, só tendo chegado duas ao seu destino, uma das quais escrita com o seu próprio sangue" - "[...] Tenho sofrido o que um ser humano pode sofrer. Nem sei como tenho tido forças para tanto. Mas com todo este sofrimento deixei de ter fé na nossa causa. Sei que venceremos. Desde sempre mantive a disposição de dar a vida pelo Partido em todas as circunstâncias, assim como dou de uma forma horrível e cheia de sofrimento. [...] Tenho confiança que sabereis vencer todos os obstáculos e levar o Povo à vitória, mantendo essa disciplina e controlo severo de uns sobre os outros em trabalho colectivo, como vínhamos fazendo e aperfeiçoando. Que infelicidade a minha só aos cinquenta anos ter começado a trabalhar dessa forma. Felizes os que vêm novos para o Partido e o encontram a trabalhar assim [...]."

   Como incisivamente sublinhou José Dias Coelho, "a PIDE assassinou-o cruelmente, um crime lento, dos que não deixam vestígios.

   Militão morreu de inanição em 2 de Janeiro de 1950.

 

Salvemos Alvaro Cunhal e Militão Ribeiro

Torturado até à loucura Militão Ribeiro continua a ser espancado

Mataram Militão Ribeiro (António)!

Há um ano foram assassinados Militão Ribeiro e José Moreira

Militão e José Moreira: Duas vidas ao serviço do nosso Povo

Há 3 anos a PIDE assassinou Militão Ribeiro e José Moreira

Militão Ribeiro e José Moreira: Herois do Partido

Militão e José Moreira: Dois herois do Partido

Aniversário da morte de Militão Ribeiro e José Moreira

Há 60 anos nasceu Militão Ribeiro

Militão, filho querido do nosso Povo

 

publicado por subterraneodaliberdade às 00:46
04 de Dezembro de 2008

 

Fuga de Caxias

 

 A fuga foi minuciosa e longamento estudada e organizada sob a orientação do Partido.

 Um dos fugitivos, António Tereso, trabalhador da Carris preso em Caxias, fingiu ceder à polícia e "rachar" de modo a poder proceder ao reconhecimento do Forte e encontrar meio de fuga. Meses depois, apresentou-se a oportunidadede a fuga se concretizar utilizando um auomoel blindado que estava em reparação no Forte e que António Tereso se ofereceu para reparar.

 No dia marcado, 4 de Dezembro de 1961, enquanto os presos encenavam um desafio de futebol num pátio que a PIDE considerava o mais seguro, António Tereso foi buscar o automóvel à garagem e, em marcha atrás conduzio-o para o pátio. Ao sinal de "Golo!" gritado por José Magro, os presos entram para o carro que arranca de imediato, em grande velocidade através do túnel, sob os disparos de um guarda, até chegar ao portão do Forte, contra o qual embate violentamente e despedaça, lançando-se para o exterior e desaparece perseguido pelos tiros da GNR. No carro seguiam dirigentes e quadros destacados do Partido: Francisco Miguel, José Magro, Guilherme da Costa Carvalho, Anónio Gervásio, Domingos Abrantes, Ilídio Esteves - militantes comunistasque, como os que,em Janeiro de 1960, se evadiram de Peniche, regressam à luta pela liberdade e pela democracia.

Texto retirado do Livro "85 Momentos de Vida e Luta do PCP"

 

Fuga de Caxias - António Gervásio

Fuga de Caxias - Exposição

 

 

 

 

 

publicado por subterraneodaliberdade às 20:23
29 de Outubro de 2008

 

 

Estes 85 momentos da história do PCP são também momentos inseparáveis da luta dos trabalhadores e do Povo Português. (...)

 

 

V Congresso do PCP

 

 

O V Congresso realizou-se de 8 a 15 de Setembro de 1957, na Casa dos Quatro Cedros, em São João do Estoril - Cascais. Vive-se, então, um tempo em que a acção da Oposição Democrática sofre, ainda, as consequências da recomposição temporária do regime fascista resultante da guerra-fria e da entrada de Portugal na NATO. Destacados dirigentes e militantes comunistas, como Álvaro Cunhal, estão na prisão; outros, como Militão Ribeiro, foram assassinados.

 

 

 

publicado por subterraneodaliberdade às 23:21
08 de Outubro de 2008

 
 
     Estes 85 momentos da história do PCP são também momentos inseparáveis da luta dos trabalhadores e do Povo Português (...).
 
 
IV Congresso do PCP (II Ilegal)
 
 
     Em Julho de 1946, realiza-se o IV Congresso do PCP (2º clandestino), na Lousã.
     Participam 41 delegados que elegem o Comité Central do Partido e discutem e aprovam os seguintes documentos: "O Caminho para o Derrubamento do Fascismo"; "Organização"; "Actividade Sindical"; "Movimento Nacional da Juventude" e "Auxílio às Vítimas do Fascismo".
     O IV Congresso efectua-se num momento alto das lutas da classe operária e de grandes progressos no desenvolvimento das organizações e das lutas unitárias - um "momento crucial da história do século xx" e um "dos períodos de mais força e influência do PCP na luta contra a ditadura". O Congresso define as linhas fundamentais da via para o derrubamento do fascismo, apontando o levantamento nacional contra a ditadura fascista como o caminho a seguir; reafirma a política do Partido para a unidade nacional antifascista; dá combate à "política de transição" - tendência «direitista e oportunista de um grupo de camaradas [...] que defendiam a ideia de que "o regime fascista se estava a decompor e a desagregar irremedialvelmente" e que a "queda da ditadura fascista resultaria em larga medida dum processo automático que as acções de massas poderiam quanto muito estimular e apressar"».
     No plano da organização e funcionamento do Partido, o IV Congresso aprofunda o processo de construção do conceito de trabalho colectivo, visto e entendido como «princípio básico essencial do estilo de trabalho do Partido»; define os princípios orgânicos do centralismo democrático que orientam a organização do Partido e virão a estar na base dos seus Estatutos.
 
 
     No relatório que apresenta sobre Organização, Álvaro Cunhal (Duarte) aponta para uma concepção de aplicação e desenvolvimento do centralismo democrático em que acrescenta aos «quatro elementos clássicos», os que decorriam da experiência e das lições específicas do PCP, assim imprimindo «características próprias e originais aos princípios orgânicos do PCP, à concepção do PCP relativa ao centralismo democrático» - e assim avançando para a construção inovadora do «partido leninista definido com a experiência própria».
     Pelo conteúdo de debate travado, pela riqueza das orientações e linhas de acção aprovadas, o IV Congresso constituiu um momento maior da história do PCP.
 
     «O fascismo foi derrotado na guerra. Não foi ainda derrotado na paz. A reacção mundial reagrupa-se e procura entravar a marcha da história. O fascismo salazarista encontra novos apoios, manobra com a demagogia, apoia-se na violência e entrincheira-se no poder. A grande tarefa que se coloca ante a nação portuguesa é o derrubamento do fascismo salazarista e a instauração duma ordem democrática que permite ao Povo escolher livremente o seu destino e a edificação de um Portugal Livre, Independente, Próspero e Feliz.»
          (In Informe Político)
 
     «Uma linha política justa que não seja levada à prática pouco vale. A classe operária necessita, a par de uma orientação política e táctica justas, de uma organização centralizada que consolide a unidade ideológica. A linha do Partido não pode ser levada à prática sem uma tal organização, sem um Partido com todas as características dum Partido leninista: um Partido guiada pelo centralismo democrática; um Partido com unidade de objectivo e de acção, incompatível com a existência de quaisquer grupos ou facções.»
          (In Informe sobre Organização) 
 
 
 
 
publicado por subterraneodaliberdade às 23:47
28 de Setembro de 2008

 
 
     Estes 85 momentos da história do PCP são também momentos inseparáveis da luta dos trabalhadores e do Povo Português.(...)
 
 
III Congresso do PCP - (I Ilegal)
 
 
     De 10 a 13 de Novembro de 1943 - num momento em que os exércitos nazis ainda dominavam a Europa e a ditadura salazarista sufocava o País com métodos extremos de privação de liberdade - o PCP realiza o seu III Congresso - o 1º clandestino. As sessões decorrem na vivenda Vila Arriaga, no Monte Estoril - Cascais, com a presença de 17 delegados. São aprovados os documentos: "Unidade da Nação Portuguesa na Luta pelo Pão, pela Liberdade e Independência"; "O Partido e as Grandes Greves de 1942 e 1943"; "Tarefas de Organização"; "A Actividade do Grupelho Provocatório"; e "Pela Liberdade e pela Democracia, pela Salvação da Jovem Geração da Miséria Económica e Cultural".
     O III Congresso marca uma grande viragem na história do Partido. A partir daí - apesar das ferozes arremetidas da prisão e dos duros golpes sofridos - O PCP conseguiu garantir a estabilidade e a continuidade do seu trabalho de direcção, o constituiu uma das fontes dos seus êxitos, da sua capacidade e experiência política, da sua actuação e orientação.
     Neste Congresso o PCP afirmou o princípio, desde então rigorosamente cumprido, de garantir o máximo respeito pelos métodos democráticos na vida interna do Partido.
 
 
     "A juventude desempenha um importante papel no movimento de unidade nacional antifascista. A juventude traz ao movimento antifascista a sua audácia, a sua fogosidade, o seu entusiasmo.
     "[...] Mas seria um erro considerar o movimento antifascista da juventude somente sob este aspecto da sua participação no movimento de unidade nacional. A juventude tem interesses próprios a defender, tem reivindicações próprias a formular. Devemos fazer todos os esforços para criar em Portugal amplos movimentos juvenis, movimentos e lutas que visem defender os interesses próprios da juventude."
         (in Informe Político)
 
     "Hoje podemos constatar que o nosso Partido se tornou um Partido nacional pela sua organização e pela influência crescente nas nossas organizações entre as massas. Hoje, o nosso Partido pode contar já com uma centena de organizações locais e regionais e, nos grandes centros, com umas dezenas de celulas de empresa."
         (in Informe sobre Tarefas de Organização)
 
     "É necessário lançarmo-nos decididamente a uma acção em larga escala para converter os Sindicatos Nacionais, de organismos defensores dos interesses do patronato, em organismos defensores dos interesses da classe operária."
         (in Resolução sobre a Questão de Organização)
 
    
publicado por subterraneodaliberdade às 01:36
20 de Setembro de 2008

 
 
     Para dar continuidade ao conjunto de post´s sobre Os Momentos de Vida e Luta do PCP, escrevo mais um post sobre Os Congressos do PCP.
 
     Para aceder aos post´s sobre Os Momentos de Vida e Luta do PCP, clicar na tag com o mesmo nome que está no fim de cada post ou na barra lateral.
 
     Não quero deixar de relembrar em cada post que:
 
     Estes 85 momentos da história do PCP são também momentos inseparáveis da luta dos trabalhadores e do Povo Português.
 
 
II Congresso
 
 
     Dando expressão às orientações traçadas pelo I Congresso, o PCP insiste na necessidade da unidade de acção dos trabalhadores face ao perigo fascista e, nesse sentido, procura estabelecer uma frente com a CGT. Contudo, as posições anticomunistas dos anarco-sindicalistas, ali dominantes, impedem a unidade - e continuarão a impedi-la à medida que o perigo fascista avança. Em 28 de Maio ocorre o golpe militar que instaura a ditadura.
     O II Congresso realiza-se em 29 e 30 de Maio de 1926, na Cooperativa Caixa Económica Operária, em Lisboa. Presentes 105 delegados representando 54 organizações (17 de Lisboa, 14 do Porto e 23 de diversos pontos do País); 3 federações (Lisboa, Porto e Beja), a Fracção Comunista Sindical e a Fracção do Socorro Vermelho Internacional. Em debate estão os Estatutos do Partido e o Relatório da Comissão Central. O Congresso aprova uma Moção apelando à unidade dos trabalhadores face à acção repressiva previsível.
    Com efeito, a ditadura desencadeia uma forte vaga repressiva contra os comunistas e as organizações e militantes democráticos e sindicais. Centenas de dirigentes operários e militantes comunistas são presos. Em 1927 a Sede do PCP é definitivamente encerrada.
    O Partido, sem quadros com a experiência e a preparação política e ideológica que a situação exigia - e, para além disso, afectado por traições e deserções - vive um período de grande desorientação e desorganização.
    A verdade é que a instauração da ditadura fascista colocara às forças políticas existentes desafios e exigências que punham à prova as suas concepções e tácticas, forçando-as a encontrar, nas novas condições, as novas armas e os novos caminhos para a luta revolucionária.
    A realidade viria a mostrar que apenas um partido se mostraria à altura desses desafios e exigências: o Partido Comunista Português.
 
Moção aprovada pelo: II Congresso do PCP:
 
   "O II Congresso Comunista Português reunido na sua sessão de encerramento, considerando:
    que o movimento insurrecional que a acaba de produzir-se em Portugal representa de facto o triunfo da reacção fascista;
    que para a sua eclosão e para a sua vitória contribuíram todos os partidos burgueses;
    que os intuitos que animam os novos assaltantes do poder se dirigem muito especialmente contra o proletariado, para salvar a situação difícil em que se debate o capitalismo;
    resolve:
    chamar a atenção dos trabalhadores e dos seus organismos a fim de se criar uma acção comum contra a atroz reacção que, sem dúvida, os novos governantes vão desencadear sobre o país e atingirá de preferência o operariado para entregá-lo manietado de pés e mão aos exploradores do seu esforço."
 
 
publicado por subterraneodaliberdade às 15:02
14 de Setembro de 2008

 

 
     Momentos de Vida e Luta do PCP irá ser um conjunto de post's, em que irei fazer referência aos momentos mais importantes da vida do meu Partido.
    
     Faço referência para dois factos: estes post´s vão ser baseados num livro "85 Momentos da Vida e Luta do PCP", editado pelas Edições Avante!, aquando dos 85 anos do PCP e os post´s vão ser colocados por uma ordem, mais ou menos, aleatória, daí o motivo de eu não iniciar com a Fundação do PCP, o primeiro e mais importante momento do Partido.
 
     No entanto, nesta primeira fase irei dar primazia aos Congressos do PCP devido à proximidade da realização do XVIII Congresso do PCP.
 
     O objectivo deste conjunto de post´s (85) é contribuir para o esclarecimento e informação da actividade do PCP e do papel importante que desempenha na sociedade portuguesa e no mundo. 
 
     Sugiro a todos os militantes, amigos do PCP, assim como a todas as pessoas que se interessam pela história do mais antigo Partido Português: O Partido Comunista Português! a aquisição do livro acima referido pois este não é substituível pelos post´s.
 
     Saliento, também, conforme está escrito na capa de trás do livro:
 
     Estes 85 momentos da história do PCP são também momentos inseparáveis da luta dos trabalhadores e do Povo Português.
      (...)
 
 
I Congresso do PCP
 
     Em 10 e 11 de Novembro de 1923, realizou-se o I Congresso do Partido, cujas sessões tiveram lugar no Centro Socialista Português e no Sindicato do Pessoal da Marinha e Cordoaria Nacional, em Lisboa.
 
     Os 118 delegados, representando 33 organizações partidárias ("comunas") de Lisboa, Porto, Coimbra, Évora, São Manços, Beja, Tomar, Torres Novas,  Amadora e Barcarena, discutiram e aprovaram as Teses, que tinham sido previamente publicadas no jornal O Comunista e submetidas a debate nas respectivas organizações.
 
     Para além dos Estatutos, de uma Resolução sobre a Organização do Partido e do Programa de Acção, o Congresso aprovou ainda uma Resolução sobre a Questão Agrária. Esta, longamente debatida, avançou como objectivo, em matéria de propriedade agrícola, que " o camponês detenha a terra que possa fazer frutificar com o seu braço". O Congresso aprovou também uma moção sobre as condições de trabalho dos operários agrícolas: "Estando em vigor actualmente a lei das 8 horas de trabalho para a classe operária e sendo os trabalhadores rurais também assalariados, propomos que se reclame desde já ao governo burguês o cumprimento dessa lei para os rurais."
 
     Os delegados debateram igualmente a repressão desencadeada pelo governo republicano contra os militantes operários e sindicais e manifestaram a sua solidariedade aos militantes comunistas e sindicais presos, muitos dos quais enviaram saudações ao Congresso.
 
     O perigo do fascismo e a análise das suas causas foi outro tema abordado pelo I Congresso - e foi apontada, como condição indispensável para lhe fazer frente com êxito, a necessidade da unidade da classe operária.
 
Extractos do "Programa de Acção do PCP"
 
     "[...] o proletariado deve, na sua multiplicação reconstrutiva e demolidora, combater a burguesia nas suas próprias instituições de classe, políticas e económicas. Por isso, preconiza a acção parlamentar, não como uma acção primordial e essencial, mas como uma acção conveniente para o exercício permanente da crítica e do combate à organização social de hoje e ainda como um meio de propaganda e difusão das ideias comunistas."
 
     "Sendo o PC de opinião que é preciso conquistar a mulher para a causa da Emancipação Humana, empregará todos os esforços para criar uma organização comunista feminina, defendendo desde já o princípio da igualdade dos salários para os dois sexos, na mesma espécie de trabalho, o direito de participação das mulheres no combate pelas reivindicações políticas e económicas dos trabalhadores e a unificação dessa reivindicação para os dois sexos."
 
    
 

 

publicado por subterraneodaliberdade às 20:48
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